Carolina Richter, de 21 anos, transforma sua propriedade familiar com práticas sustentáveis.

Carolina Richter, de 21 anos, encontrou na agroecologia a oportunidade para construir seu próprio caminho sem precisar deixar o meio rural. Criada em uma família de pequenos produtores de grãos e leite, em Quinze de Novembro (RS), ela cresceu entre a lida no campo e a produção artesanal de biscoitos da família.
Ao concluir o ensino médio, o futuro na propriedade de 2,5 hectares parecia incerto, já que ela não se identificava com a lavoura de grãos nem pretendia assumir a agroindústria familiar. “Eu não sabia o que queria, se iria fazer faculdade de agronomia ou biologia, mas daí teria que sair daqui e ir morar em outra cidade”, diz Carolina.
A mudança de planos ocorreu aos 17 anos, durante um curso de formação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag). Foi ali que teve o primeiro contato com a agroecologia. “Foi um choque, porque até então eu ainda não tinha me identificado como agricultora. Nesse momento nasceu uma vontade muito grande de ficar no campo”, relata.
Motivada pelo aprendizado, Carolina propôs aos pais a diversificação do espaço. Com o apoio da família, recebeu uma área de 3.000 metros quadrados – que chamou de Sítio Terra do Coração – para implantar um sistema agroflorestal voltado ao cultivo de mais de 50 espécies de plantas, especialmente ervas medicinais e frutas, com as quais produz óleos essenciais.
✨ A jovem buscou incentivo como o Feaper Jovem, com o qual adquiriu um triturador de galhos, e, em parceria com a prefeitura local, utiliza resíduos de podas urbanas para a geração de matéria orgânica.
Hoje, é no cultivo agroecológico que Carolina enxerga sua real vocação e independência financeira. “Se não fosse essa oportunidade de trabalhar com a agroecologia, talvez não estivesse mais na propriedade.”
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Jornalista especializado em Agronegócio

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