Relatório aponta desafios para fornecedores africanos diante das novas exigências

A implementação da Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) está programada para entrar em vigor em 30 de dezembro de 2026, gerando incertezas para o mercado de cacau, de acordo com um relatório da Hedgepoint Global Markets. A data de aplicação da norma foi adiada múltiplas vezes desde sua previsão original em dezembro de 2024.
Esta legislação exige que o cacau comercializado na União Europeia comprove que não está associado ao desmatamento após dezembro de 2020, incluindo requisitos de legalidade e rastreabilidade. "A legislação é essencial, considerando a dependência do mercado europeu dos fornecedores africanos, especialmente pelas amêndoas", destaca Carolina França, analista de inteligência de mercado na Hedgepoint.
✨ A Costa do Marfim é responsável por 48% das importações europeias de amêndoas de cacau.
Com uma produção concentrada na África Ocidental, que responde por cerca de 60% da oferta mundial de cacau, a nova regra é vital para a relação comercial entre a Europa e a região. Nas importações europeias de cacau e derivados, as amêndoas representam cerca de 83% do volume total, seguidas pela manteiga, que corresponde a 12%.
A Hedgepoint destaca a disparidade na preparação dos principais fornecedores africanos para a EUDR. Na Costa do Marfim, um levantamento de 2026 revelou que apenas 48% das exportações de cacau eram rastreáveis até cooperativas identificadas. Em contraste, 83% das compras diretas em Gana eram rastreáveis, enquanto Camarões reportaram 99% de áreas produtivas com sistemas de rastreabilidade. Entretanto, na Nigéria, mais da metade da produção pode ter dificuldades para atender às exigências.
Os diferentes níveis de adequação dos fornecedores africanos podem resultar em riscos de restrição comercial. Segundo Carolina França, uma possível diferenciação de preços entre o cacau em conformidade com a regulamentação e o que não atende às exigências pode afetar a dinâmica do comércio. A diversificação de origens já tem sido observada, com aumento na participação do Equador nas importações europeias de amêndoas nos últimos anos.
Ainda que a magnitude e a direção dos efeitos associados à EUDR sejam incertas, a nova legislação promete adicionar volatilidade aos preços e à dinâmica do comércio internacional de cacau.
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