Pesquisador destaca fatores como câmbio e El Niño como desafios.

A margem da safra 2026/27 de soja está mais apertada para os produtores brasileiros. Se depender de Mauro Osaki, pesquisador do Cepea, três fatores terão um peso significativo no desempenho financeiro desta temporada: o comportamento do câmbio, os impactos do El Niño sobre o clima e as consequências dos conflitos geopolíticos sobre os custos de produção.
"Poderíamos destacar esses três como os de maior peso atualmente", afirma Osaki. O câmbio, especificamente, é visto como uma variável crucial na formação do preço da soja no mercado brasileiro. A referência atual está em torno de R$ 5,20, mas existem previsões de que ela possa chegar a R$ 5,30. O comportamento da moeda, segundo o pesquisador, está intimamente ligado ao cenário político e econômico que se desenhará após as eleições de outubro.
"Se o governo for mais austero, o mercado tende a se estabilizar. Por outro lado, caso continue um governo irresponsável, a taxa de câmbio pode sofrer explosões", alerta.
✨ Osaki considera o El Niño como "o calcanhar de Aquiles" da produção, prevendo um cenário de chuvas excessivas no Sul e irregularidade no Centro-Oeste, aumentando os riscos para a safra.
Além do câmbio, o clima volta a ser uma preocupação central. A previsão de um El Niño nesta safra é vista por Osaki como um dos maiores riscos para a produção. "É o nosso calcanhar de Aquiles, uma pedra em nosso sapato", reage. A expectativa é de extrema variabilidade climática, com chuvas excessivas na região Sul e irregularidade no Centro-Oeste.
Histórico de anos anteriores também reforça essa preocupação, já que nos ciclos de 2015/16, perdas no Centro-Oeste foram atribuídas a um El Niño forte. Em anos de El Niño, é comum esperar perdas de 7% a 14% na produção, o que pode aumentar os custos se houver necessidade de replantio.
Diante desse cenário, Osaki sugere que os produtores evitem a concentração do plantio em um único período, escalonando o plantio para minimizar riscos.
O cenário se agrava ainda mais com o cenário internacional, onde conflitos geopolíticos e ataques a instalações de refino estão pressionando a oferta de derivados de petróleo, como o diesel. Este combustível é crucial em duas fases da safra: o plantio, que começou em 1º de setembro em várias regiões, e a colheita.
No município de Sorriso (MT), a quantidade de soja necessária para cobrir os custos operacionais deve aumentar de 52 para 56 sacas por hectare entre as safras, enquanto no oeste do Paraná a expectativa é que o indicador suba de 41,8 para 45 sacas por hectare. O custo de produção em Mato Grosso é estimado em R$ 4.315,29 por hectare, uma alta de 3,21%.
A semeadura da soja 2026/27 já começou e está mais acelerada que na temporada anterior. O plantio começou em Paraná e São Paulo no dia 1º de setembro, com Mato Grosso liberando o início em 7 de setembro. O ritmo do plantio está avançando, com 0,05% da área projetada já plantada, em comparação a 0,02% no ano passado.
Apesar dos riscos, as primeiras projeções indicam uma nova safra recorde. As consultorias StoneX e Datagro estimam produções de 183,5 milhões e 185,6 milhões de toneladas, respectivamente, enquanto a Hedgepoint apresenta uma projeção conservadora de 181,7 milhões de toneladas.
E, segundo Osaki, outubro será um mês crucial para definir o futuro da safra, com a expectativa sobre as eleições e o avanço do plantio no Centro-Oeste alinhados à evolução do cenário internacional de combustíveis e fertilizantes.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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