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Agronegócio
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Mercado de commodities agrícolas vislumbra alívio com tensões em queda

Possível cessar-fogo pode gerar cortes de juros e impacto no setor

Gabriel Azevedo24 de abril de 2026 às 15:15
Mercado de commodities agrícolas vislumbra alívio com tensões em queda

O mercado global de commodities agrícolas inicia o segundo trimestre de 2026 com perspectivas de alívio, após um período de intensa volatilidade. A Hedgepoint Global Markets aponta que a diminuição das tensões geopolíticas pode possibilitar cortes nas taxas de juros, embora os desafios climáticos e de oferta ainda deixem o setor em estado de alerta.

Impactos das tensões geopolíticas

O primeiro trimestre deste ano foi marcado pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, o que teve consequências diretas sobre o setor energético, além de influenciar a inflação e as condições financeiras globais. De acordo com a Hedgepoint, um eventual cessar-fogo no Oriente Médio pode reduzir essas tensões temporariamente, levando a uma possível queda nos preços do petróleo e a um aumento no apetite por risco.

Um possível alívio nas tensões pode abrir caminhos para cortes nas taxas de juros.

Desafios específicos do setor

No setor açucareiro, o excesso de oferta continua a pressionar os preços, embora a demanda por etanol no Brasil ofereça algum suporte ao mercado. Já no café, as expectativas de uma safra robusta no Brasil criam um cenário de viés baixista, apesar das dificuldades logísticas e custos elevados que limitam grandes correções de preços. No mercado de cacau, ajustes de preços estão sendo feitos em resposta a uma expectativa de oferta excedente e demanda debilitada.

Grãos e biocombustíveis

No segmento de grãos, a soja se beneficiou da expectativa de maior demanda nos Estados Unidos, impulsionada pelo aumento na mistura de biocombustíveis. O conflito no Oriente Médio tem contribuído para a valorização do óleo de soja. O milho, por sua vez, apresentou estabilidade em meio à dúvida entre oferta abundante e forte demanda por exportações. As cotações ganharam força a partir de março, especialmente por conta do setor energético, em particular do etanol.

O clima será um fator chave nas dinâmicas de preços agrícolas neste trimestre.

Previsões climáticas e seus impactos

A Hedgepoint enfatiza que o clima deve desempenhar um papel crucial no segundo trimestre. Modelos climáticos indicam a possibilidade do fim do fenômeno La Niña e o surgimento de um El Niño entre maio e julho, o que pode alterar as condições climáticas em regiões produtoras, aumentando os riscos de secas ou chuvas excessivas, com potencial impacto direto na produtividade agrícola.

Perspectivas no mercado de energia

O mercado de energia continuará a influenciar fortemente as commodities, com riscos geopolíticos e logísticos mantendo os preços em alta e a volatilidade acentuada. Mesmo que haja alívio parcial nas tensões, a presença constante de incertezas geopolíticas e logísticas garante que o setor de energia permaneça como um canal significativo de instabilidade para as demais commodities.

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Produtores e traders devem permanecer vigilantes, uma vez que clima, energia e geopolítica continuam sendo fatores decisivos para a formação de preços agrícolas.

Embora as perspectivas sejam de alívio, os riscos permanecem e exigem atenção contínua.

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