Colheita desigual e problemas de qualidade impactam preços e abastecimento

A oferta de trigo com qualidade para moagem apresenta restrições no Sul do Brasil, enquanto a colheita avança de forma desigual, ampliando a disparidade de preços entre os lotes. De acordo com a TF Agroeconômica, a presença de grãos comprometidos, incluindo a toxina DON no Rio Grande do Sul, dificulta o abastecimento dos moinhos e gera renegociações de contratos.
No Rio Grande do Sul, a colheita estava estimada em 5% até 15 de outubro, porém a janela de trabalho até o dia 20 pode aumentar esse índice para 25%. Atualmente, o trigo da safra anterior é ofertado a R$ 1.600 por tonelada, enquanto os compradores indicam R$ 1.550. Para o novo cereal, negócios pontuais são feitos a R$ 1.400 FOB, com descontos dependendo da qualidade.
✨ Em Panambi, o preço ao produtor caiu R$ 2, alcançando R$ 73 por saca. A concorrência externa com o trigo argentino, cotado a US$ 305 por tonelada em Rio Grande e US$ 310 em Canoas, está limitando a disposição dos moinhos em pagar os preços pedidos pelo trigo gaúcho.
Em Santa Catarina, a escassez de trigo adequado também pressiona a indústria, com um moinho relatando um reajuste de 11,5% nas tabelas de farinha e a necessidade de novas correções. A Epagri prevê uma redução de 35% na área plantada com trigo na safra 2026/27, além de uma queda de 37% na produção, que deve ficar em torno de 243 mil toneladas.
No Paraná, a presença de trigo germinado limita a disponibilidade de lotes do tipo 1, cujos preços chegam a R$ 1.650 por tonelada. Os valores para o tipo 2 são de R$ 1.450 e para o tipo 3, R$ 1.300. Para trigo destinado à ração, as tradings oferecem entre R$ 1.100 e R$ 1.150 por tonelada no porto.
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