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Agronegócio
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Mercosul e UE: Acordo comercial gera expectativas e desafios para o agro

Setor agropecuário debate impactos de acordo com a União Europeia

Gabriel Rodrigues30 de julho de 2026 às 09:35
Mercosul e UE: Acordo comercial gera expectativas e desafios para o agro

O acordo comercial firmado entre Mercosul e União Europeia voltou a ser um ponto de destaque nas discussões do setor agropecuário, ao trazer à tona expectativas de ampliação das exportações brasileiras, além de preocupações sobre concorrência externa e as regulatórias.

Este tratado, que foi negociado por quase 30 anos, prevê a redução progressiva das tarifas e uma integração comercial maior entre os blocos. Para o agronegócio brasileiro, isso representa uma oportunidade de acesso facilitado ao mercado europeu para a exportação de carnes, produtos agrícolas, alimentos processados e itens de maior valor agregado.

A nova regulamentação das salvaguardas bilaterais, estabelecida pelo Decreto nº 12.866/2026, tem um papel fundamental ao permitir proteção ao setor agro.

No entanto, os efeitos desse acordo não são iguais para todas as cadeias produtivas. Enquanto alguns segmentos podem se beneficiar com a ampliação das vendas e diversificação dos destinos, outros se preocupam com um possível aumento das importações e a pressão competitiva no mercado interno.

O Decreto nº 12.866/2026 surgiu como uma resposta a essas preocupações, estabelecendo diretrizes para a investigação e aplicação de medidas de defesa comercial em tratados internacionais. Esse mecanismo permite ao Brasil interromper a redução tarifária, restaurar tarifas ou implementar cotas temporárias quando o aumento das importações representar um risco significativo à produção nacional.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendeu essa norma. O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da bancada, enfatizou que o decreto fortalece a capacidade do país em responder a desequilíbrios comerciais. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA no Senado, também comentou que essa ferramenta oferece segurança ao setor durante o período de abertura comercial.

Além disso, as exigências sanitárias e ambientais da União Europeia surgem como um ponto crucial na discussão. O bloco europeu implementou novas regras sobre o uso de medicamentos veterinários, controle de resíduos e monitoramento de antimicrobianos na produção animal. Para os representantes do setor, o sucesso no mercado europeu vai depender da capacidade de cumprir com estas exigências regulamentares, garantindo comércio equilibrado.

No Congresso, a avaliação do acordo continua em andamento, com focos em como ele afetará a produção. O deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator na Câmara, descreveu a análise como estratégica, enquanto o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou apoio à aprovação do tratado como uma maneira de promover a integração econômica e ampliar as oportunidades comerciais para o Brasil.

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