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Agronegócio
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Nematoide das galhas ameaça a produção de café no Brasil

A crescente ameaça do nematoide das galhas exige planejamento no cultivo do café.

Acro Rodrigues30 de junho de 2026 às 15:15
Nematoide das galhas ameaça a produção de café no Brasil

O nematoide das galhas se tornou uma das maiores ameaças ao café no Brasil. Este verme microscópico, que habita o solo, ataca as raízes da planta, podendo reduzir drasticamente a produção e encurtar a vida útil das lavouras.

Produtores que pretendem renovar seus cafezais devem se planejar com antecedência. Realizar análise do solo, diversificar as culturas temporariamente e cuidar da área antes de replantar café são ações fundamentais para diminuir a infestação desse nematoide e garantir uma colheita mais saudável.

Entendendo o nematoide das galhas

Microscópico e quase invisível a olho nu, o nematoide das galhas infiltra-se nas raízes do cafeeiro, levando a planta a desenvolver galhas — pequenos caroços onde a fêmea deposita seus ovos. Em clima quente e úmido, esses ovos se tornam novos vermes, perpetuando o ciclo destrutivo no cultivo.

As espécies mais afetadas incluem Meloidogyne incognita, M. paranaensis e M. exigua, responsáveis por perdas significativas na produção.

A dificuldade em controlar a infestação se agrava pelo fato de que os ovos podem sobreviver no solo por longos períodos, alimentando-se de raízes de plantas daninhas. O nematoide se dispersa facilmente, sendo transportado por máquinas e mudas contaminadas, aumentando a dificuldade de gerenciamento nas lavouras.

Sinais de infestação e diagnóstico

Os sintomas do ataque do nematoide podem variar de acordo com a área. Os produtores devem prestar atenção a raízes com galhas, raízes podres ou encurtadas. Da parte aérea, as plantas podem se mostrar com crescimento reduzido, folhas amareladas e queda prematura, além de produção de grãos desigual.

A presença do nematoide pode forçar os produtores a renovar a lavoura antes do normal, elevando os custos de produção e reduzindo a eficiência do uso de água e nutrientes.

A importância do manejo adequado

A simples remoção do café velho não é suficiente para resolver o problema do nematoide, especialmente em áreas com histórico de infestação. O plantio sucessivo sem interação com o solo apenas perpetua a multiplicação do verme. Por isso, é crucial um planejamento que envolva o pousio dirigido — um descanso ativo em que o produtor cuida da área, controlando as plantas que servem de alimento para o nematoide.

Um período de descanso entre 18 e 24 meses com culturas alternativas é recomendado para reduzir significativamente a infestação.

As etapas de planejamento incluem análise de solo, definição do tempo de pousio, escolha de culturas, gerenciamento do mato, e reanálise do solo antes do novo plantio para garantir a efetividade das intervenções.

Estrategias de controle e prevenção

A troca de culturas e o pousio cuidadoso devem ser parte de um sistema de manejo integrado que abarca a análise do solo, adubação verde e a plantação de mudas saudáveis. É vital assegurar que as mudas provenientes de viveiros são isentas de nematoide e que se utilizam variedades de café mais resistentes.

Os produtores também devem seguir as orientações de engenheiros agrônomos nas práticas de controle e utilização de insumos fitossanitários, sempre respeitando a legislação ambiental.

Essas ações são fundamentais para garantir a sustentabilidade e a produtividade do cultivo de café no Brasil.

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