Mercado de fertilizantes enfrenta desafios mesmo após queda nos preços

Os produtores rurais estão vendo uma leve melhora em seu poder de compra após o pico da guerra no Oriente Médio, mas ainda enfrentam desafios significativos, especialmente no que diz respeito aos preços elevados de fertilizantes. Essa análise foi apresentada no relatório semestral do Rabobank, divulgado nesta quarta-feira (2).
O Rabobank destaca que, apesar da recuperação na chamada affordability, que avalia a relação entre o custo dos fertilizantes e a renda agrícola, isso não foi o bastante para reverter a baixa demanda. No Brasil, a soma de preços altos dos insumos, margens reduzidas e dificuldades financeiras levou a uma revisão nas projeções de entrega de fertilizantes para 2026, rebaixando a estimativa de 47 milhões de toneladas para 45,1 milhões.
✨ A deterioração do poder de compra e a alta dos insumos resultaram em uma drástica queda nas importações de fertilizantes pelo Brasil.
Os índices globais de affordability melhoraram desde abril, mas ainda estão abaixo da linha neutra, indicando que os fertilizantes são considerados 'não acessíveis' nas principais regiões agrícolas do mundo. O Rabobank prevê uma recuperação lenta ao longo do próximo ano, devido a problemas persistentes na oferta e volatilidade do mercado.
Os fertilizantes fosfatados estão entre os mais afetados, com um índice de acessibilidade de -0,59, o pior entre os nutrientes, devido a altos preços e custos de produção elevados relacionados ao enxofre. Por outro lado, o potássio colocou-se próximo da neutralidade, enquanto o nitrogênio continua em território negativo.
O Rabobank prevê que a demanda brasileira por fertilizantes baixe depois do crescimento em 2025, com produtores priorizando o controle de custos devido a níveis recordes de inadimplência. Em 2026, a demanda global também deverá cair em 5% para ureia e 7% para fosfatados.
As importações de ureia pelo Brasil apresentaram uma queda dramática de 31%, com a demanda por nitrogênio diminuindo cerca de 22%. O cenário ainda é mais complicado para os fosfatados, onde a demanda segue em declínio. A situação está forçando os produtores a recorrerem a estoques de fósforo já presentes no solo, como uma estratégia semelhante à de 2022.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Jornalista especializado em Agronegócio

Intenção de crescimento na safra deve impactar o mercado agrícola

Aumento das despesas com insumos exige atenção dos agricultores

Conflitos e protecionismo alteram a dinâmica de insumos essenciais

Redução nas propriedades reflete desafios financeiros na safra 2026/27