Aumento é impulsionado pelo atraso na moagem de cana e alta internacional do açúcar.

Os preços do etanol hidratado recebidos pelas usinas apresentaram um aumento de quase 38%, atingindo patamares semelhantes aos da primeira semana da safra sucroalcooleira de 2026/27. Após uma significativa desvalorização entre abril e julho, o biocombustível começou a reagir em agosto, impulsionado inicialmente pela recuperação dos preços internacionais do açúcar e mais recentemente pelo atraso na moagem de cana no Centro-Sul.
Na semana encerrada em 30 de outubro, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado recebido pelas usinas de São Paulo, já líquidos de impostos, se estabeleceu em R$ 2,8135 o litro, um valor próximo ao registrado na semana de 2 de abril, que era de R$ 2,8875 o litro. Entre abril e julho, o indicador havia acumulado uma queda de 29,2%, mas desde o início de agosto, o preço passou a crescer, registrando uma valorização de 37,6% nos últimos três meses.
✨ Em Mato Grosso, o preço do etanol hidratado subiu 21,6% desde a primeira semana de agosto, atingindo na semana de 30 de outubro R$ 3.119,51 por metro cúbico, o maior valor desde 30 de abril.
Segundo Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, o atraso na moagem da cana-de-açúcar é o principal fator para a recuperação recente dos preços do etanol. Apesar de haver uma quantidade significativa de cana disponível para colheita, as chuvas excessivas em regiões chave, associadas ao El Niño, têm dificultado o trabalho das usinas. Rodrigues acredita que, devido a essas condições, as usinas poderão prolongar o período de moagem até 20 de dezembro, dependendo do clima. Ele ressalta que, embora o preço do açúcar também tenha se recuperado, a subvenção governamental para o etanol tende a equilibrar a renda obtida pelos dois produtos para as usinas, reduzindo a motivação para a produção de açúcar.
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