Ofertas crescentes e importações elevadas devem pressionar valores da commodity.

O preço do leite pago ao produtor se manteve praticamente estável em agosto, mas as condições do mercado indicam que a recuperação da oferta deve aumentar a pressão sobre os preços no mês de setembro. De acordo com o Cepea, o valor médio do leite cru captado por laticínios atingiu R$ 2,8869 por litro na ‘Média Brasil’, apresentando uma alta real de 0,7% em relação a julho e de 9,18% em comparação com agosto de 2025.
A estabilidade dos preços enfrentou um aumento na captação, especialmente na região Sul, e a expectativa é de um recuo nos valores devido à maior disponibilidade de matéria-prima e à manutenção das importações de lácteos em patamares elevados. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) aumentou 3,86% de julho para agosto na ‘Média Brasil’, evidenciando uma recuperação na produção de leite, com especial destaque para o Sul do País.
✨ Apesar do aumento na oferta em algumas regiões, a demanda ainda se manteve firme, limitando grandes quedas nos preços dos derivados durante o período.
Entretanto, para setembro, o cenário deverá mudar com a maior disponibilidade de leite. Informações coletadas pelo Cepea apontam que o avanço da produção, principalmente no Sul, está aumentando a oferta de matéria-prima e elevando a pressão sobre os preços dos derivados na região Sudeste. Mesmo com a estabilidade dos preços dos derivados, os custos da atividade de pecuária leiteira aumentaram 0,63% na ‘Média Brasil’ em agosto, impactados especialmente pelos insumos utilizados na alimentação do rebanho.
As altas do milho e da soja registradas no mês anterior foram repassadas aos concentrados, que apresentaram um aumento de 1,2% em agosto. Essas elevações acontecem após um período de dois meses de relativa estabilidade dos custos operacionais. Em termos de importações, o Brasil registrou uma queda de 2,54% nas compras externas de lácteos, totalizando 230,3 milhões de litros em Equivalente-Leite em agosto, embora o volume tenha permanecido cerca de 40% acima do que foi registrado no mesmo mês de 2025.
O leite em pó representou 72,3% das importações, com um total de 166,58 milhões de litros em Equivalente-Leite, uma alta de 0,99% em relação ao mês anterior. A entrada de produtos importados dentro do mercado interno amplia a oferta e limita a sustentação dos preços domésticos. Após um agosto de relativa estabilidade, sinais de menor sustentação nos preços dos derivados começaram a surgir em setembro, à medida que a maior disponibilidade de leite intensifica a pressão sobre os preços no atacado do Sudeste.
Com pesquisas do Cepea, que contaram com apoio da OCB, foram identificados aumentos nos preços do UHT e do leite em pó em agosto em São Paulo, com alta de 4,65% e 1,80%, respectivamente. A muçarela, por sua vez, permaneceu praticamente estável com uma leve alta de 0,62%. Para os próximos meses, as previsões apontam para uma queda nas cotações do leite cru em setembro, o que deve se estender para outubro, comissão que está associada à recuperação da oferta e à permanência das importações em volumes elevados.
Essa situação deve garantir que a oferta de leite continue a ser um dos principais fatores de pressão sobre os preços no mercado brasileiro.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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