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Agronegócio
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Preços do trigo no Brasil sobem enquanto mercado externo recua

Cotações internas avançam devido à baixa oferta e importações encarecidas.

João Pereira29 de maio de 2026 às 12:15
Preços do trigo no Brasil sobem enquanto mercado externo recua

O mercado de trigo fechou a última semana de maio com um contraste entre o que ocorre no Brasil e no exterior. Enquanto as cotações internacionais em Chicago apresentaram queda, os preços internos subiram, impulsionados pela escassez de trigo de qualidade, importações mais caras e expectativa de diminuição da área agricultável.

Os preços do trigo em Chicago caíram para US$ 6,24 por bushel, enquanto no Brasil, os preços internos em algumas regiões chegaram a R$ 70,00 por saco.

No mercado de Chicago, o primeiro mês negociado fechou a 28 de maio com queda em relação aos US$ 6,47 da semana anterior, apesar de preocupações persistentes sobre as lavouras de inverno nos Estados Unidos, onde 44% das áreas foram avaliadas como ruins. No entanto, a semeadura do trigo de primavera nos EUA avançou acima da média histórica, com 86% da área plantada até 24 de maio.

No Brasil, a recuperação dos preços foi notável. No Rio Grande do Sul, os valores oscilaram entre R$ 65,00 e R$ 66,00 por saco, enquanto no Paraná essas referências alcançaram R$ 70,00. A CEEMA atribui essa alta à baixa disponibilidade de trigo de alta qualidade e ao aumento dos custos de importação, além da expectativa de uma redução acentuada na área semeada devido ao plantio da nova safra.

Recentemente, 61% da área prevista já havia sido semeada no Paraná, embora no Rio Grande do Sul o plantio ainda estivesse em estágios iniciais, com todos os envolvidos atentos ao desenvolvimento das lavouras. Além disso, a indústria do trigo desempenhou um papel significativo: em 2025, o Brasil moerá 13,3 milhões de toneladas, representando um crescimento de 0,6% em relação ao ano anterior e o maior volume desde 2021.

Os dados também mostram que, apesar de uma leve queda, o Paraná continua liderando a moagem nacional com 3,9 milhões de toneladas, enquanto o Rio Grande do Sul processou 2 milhões e São Paulo 1,73 milhão de toneladas. Os estados do Norte e Nordeste, dependentes de trigo importado, registraram um aumento de 4,7% na moagem.

Em 2025, o Brasil importou 6,88 milhões de toneladas, com a Argentina sendo a principal fornecedora, seguida pelo Uruguai e Paraguai. Com relação aos preços da safra antiga, no Rio Grande do Sul, as cotações continuaram sua recuperação, com os moinhos indicando valores entre R$ 1.430,00 e R$ 1.450,00 por tonelada CIF para trigo comum.

No novo plantio, também se observa uma tendência de redução na área dedicada ao trigo, devido à falta de sementes e menor uso de tecnologia. Em Santa Catarina, os preços referenciados variavam entre R$ 1.350,00 e R$ 1.400,00 por tonelada, enquanto no sudoeste do Paraná as ofertas estavam entre R$ 1.320,00 e R$ 1.350,00.

Assim, mesmo com a pressão de baixa em Chicago, o mercado de trigo brasileiro continua sustentado por fundamentos internos. A combinação de oferta restrita, aumento dos custos de importação e a previsão de menor área plantada fazem com que o setor permaneça em alerta. Para produtores e indústrias, a atenção nas negociações da safra antiga e o planejamento da nova colheita são imperativos.

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