Produtores de cacau enfrentam desafios com preços baixos no Pará
Mercado global pressiona preços e afeta a rentabilidade dos agricultores.

Os produtores de cacau no Pará, como Osni de Azevedo Ramos, enfrentam uma situação desoladora devido à baixa cotação do produto, que é influenciada pelas bolsas internacionais de Nova York e Londres.
Ramos, que cultiva 22 hectares de cacau e açaí em sua propriedade de 400 hectares, destaca que as moageiras estão aplicando um deságio, dificultando a rentabilidade e levando muitos agricultores a descartar a produção. O aumento nos custos de insumos, como fertilizantes e combustíveis devido a recentes conflitos geopolíticos, agrava ainda mais a situação.
✨ Os preços de mercado locais estão muito aquém do ideal, com intermediários pagando apenas R$ 9 pelo quilo das amêndoas.
Embora Ramos tenha vendido cacau fermentado por R$ 40, ele constatou que, no ano passado, o preço chegou a R$ 55. Além disso, ele expressa esperança de que a crise atual promova uma conscientização entre os cacauicultores sobre a importância de produzir amêndoas de qualidade e cultivar boas parcerias dentro da cadeia do chocolate.
Perspectivas e Iniciativas do Setor de Chocolate
Ramos observa avanços, como a legislação que aumenta para 35% o teor de cacau em chocolates e a suspensão das importações de cacau de origem africana. Ele acredita que melhorar a qualidade do cacau amazônico pode abrir portas para preços mais competitivos no mercado internacional.
"Produzir cacau de qualidade é a grande saída para o produtor brasileiro. O cacau amazônico tem um terroir único e variabilidade genética que pode ser valorizado no exterior.
Por outro lado, Anna Paula Losi, presidente da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), reconhece as preocupações dos produtores, mas enfatiza que os preços do mercado não são controlados apenas pela indústria. Ela menciona que a recente queda nos preços reflete a desaceleração da demanda e ajustes nas cotações internacionais, afetando os valores internos.
✨ A indústria continua comprando cacau brasileiro e busca condições competitivas para garantir operações e exportações.
Losi reitera que a indústria depende fortemente da produção nacional e não tem interesse em desvalorizar seus fornecedores. O desafio, segundo ela, é manter a competitividade para que a indústria possa continuar operando e absorvendo a produção local.
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