Reconhecimento pelo Mapa fortalece criação e agrega valor aos ovinos no semiárido

A raça de ovino Berganês, desenvolvida no semiárido brasileiro, recebeu reconhecimento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em maio deste ano. Esse feito é um marco importante para a pecuária na região, onde a disponibilidade de alimento é irregular e as temperaturas elevadas são desafiadoras para os criadores.
João Bandeira de Moura Neto, pesquisador do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) e um dos pioneiros no reconhecimento da raça, afirma que a homologação pelo Mapa valida anos de pesquisa e contribui para programas de melhoramento genético, além de ampliar a rastreabilidade dos rebanhos e agregar valor comercial aos animais registrados.
Desde 1988, criadores nordestinos têm realizado cruzamentos entre ovinos da raça brasileira Santa Inês e da italiana Bergamácia, buscando maior produtividade e características importantes. A pesquisa cientificamente aprovada em 2014 resultou em vários trabalhos acadêmicos que caracterizaram a raça e subsidiaram seu reconhecimento oficial.
✨ Atualmente, com 32 criadores associados à Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Berganês (ABCOB), foram contabilizados 2.648 animais em 12 Estados, com Pernambuco liderando a produção com 1.393 ovinos.
Os animais Berganês apresentam uma vantagem financeira significativa, sendo vendidos entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, em comparação aos R$ 1 mil dos ovinos tradicionais. Moura Neto destaca que a resistência ao calor e a eficiência na conversão alimentar são características que valorizam ainda mais a raça.
João Berlúcio, do Berganês Rancho Dudé, em Terra Nova (PE), enfatiza a escolha da raça adaptada ao clima semiárido como crucial para a produtividade e redução de riscos, especialmente durante períodos de seca. O rancho investiu em seleção rigorosa e, com apoio do Sebraetec, aprimorou geneticamente seu plantel.
Os resultados desse investimento foram positivos, com a obtenção de 29 embriões viáveis e uma taxa de sucesso de 65,51%. Berlúcio conclui que a combinação de genética adaptada e consultoria técnica transformou os desafios climáticos em oportunidades produtivas.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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