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Agronegócio
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Sudeste enfrenta desafios na colheita de café devido a condições climáticas

Chuvas e umidade elevam os riscos para produtores

Tiago Abech22 de junho de 2026 às 13:45
Sudeste enfrenta desafios na colheita de café devido a condições climáticas

Produtores de café nas principais áreas do Sudeste estão em alerta nesta semana devido a condições climáticas desfavoráveis que podem afetar a colheita e a qualidade do grão.

Impacto das chuvas fora de época

De acordo com a Meteored, a combinação de chuvas inesperadas, alta umidade e a chegada de frentes frias pode prejudicar o andamento dos trabalhos em Minas Gerais e São Paulo. O desafio principal não é apenas a lentidão na colheita, mas também garantir a qualidade do café que ainda está sendo processado.

Junho é um mês crucial para a colheita e secagem do café, especialmente em regiões como o Sul de Minas e Média Mogiana.

Entre os dias 11 e 13 de junho, as chuvas já causaram interrupções nas atividades de diversas propriedades, especialmente no Sul de Minas, onde os trabalhos de campo foram suspensos e o café em secagem foi exposto à umidade.

Dados da colheita

Até 14 de junho, a colheita na área monitorada pela Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) atingiu 15,8%. Em São Paulo, esse número foi de 21,5%, enquanto as Matas de Minas chegaram a 20%, o Sul de Minas a 19,1% e o Cerrado Mineiro a 8,8%.

Com grande parte das plantações ainda por colher, o sucesso das operações depende de dias secos que permitam as atividades seguissem sem interrupções.

Previsões adversas

As previsões meteorológicas indicam a chegada de uma nova frente fria ao Centro-Sul do país, prevista para afetar não apenas a Região Sul, mas também São Paulo e partes do Sudeste entre o final de semana e o início da próxima semana.

Esse fenômeno não apenas trará chuvas, mas aumentará a nebulosidade, atrasando a secagem natural dos grãos e criando uma situação de incerteza para os produtores.

Em regiões como a Média Mogiana, interrupções na colheita e transporte são previstos devido às condições climáticas.

Particularmente no Sul de Minas, há grande preocupação com a qualidade dos frutos caídos que, expostos à umidade, podem sofrer deterioração. Nas Matas de Minas, a topografia e o aumento da cobertura de nuvens estão favorecendo um secagem mais longa.

No Cerrado Mineiro, onde a colheita ainda está em estágios iniciais, a necessidade de um período seco é crucial para o progresso da safra.

Até mesmo chuvas moderadas, entre 10 e 30 milímetros, podem ser o suficiente para atrasar as operações nas lavouras de café quando combinadas com alta umidade e céu encoberto, levando a um retorno mais lento das máquinas ao campo.

Consequências para o mercado

Após a passagem das frentes frias, a retomada dos trabalhos dependerá de dias consecutivos de sol, baixa umidade e ventos moderados. O café colhido em condições de muita umidade corre o risco de fermentar, aquecer e desenvolver fungos, afetando a qualidade do produto final.

Os reflexos no mercado não se restringem apenas ao volume colhido, mas a qualidade da bebida e a classificação dos lotes também se tornam dependentes das condições climáticas nas semanas seguintes.

Em áreas onde ocorrerem períodos de sol, a colheita pode prosseguir de maneira mais ágil. Naquelas com chuvas frequentes, os produtores precisarão reforçar a triagem dos frutos, acelerar o recolhimento do café que caiu e intensificar os cuidados na secagem.

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