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Agronegócio
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Trigo em SC enfrenta desafios com clima e aumento de custos

Produtores devem reduzir a área cultivada devido a fatores adversos

Acro Rodrigues25 de maio de 2026 às 15:45
Trigo em SC enfrenta desafios com clima e aumento de custos

A cultura do trigo, a principal lavoura de grãos do inverno em Santa Catarina, inicia o planejamento da safra 2026 enfrentando desafios impostos por questões climáticas e econômicas, conforme o Boletim Agropecuário de maio da Epagri/Cepa.

De acordo com o documento, há uma tendência de diminuição da área cultivada no estado, impulsionada por previsões de um inverno e primavera com chuvas mais frequentes, um efeito associado ao fenômeno El Niño, além dos altos custos de produção e a hesitação dos agricultores em contratarem crédito rural.

Sistema de Plantio e Janela de Plantio

O plantio de trigo em Santa Catarina ocorre, predominantemente, após as culturas de verão, usando o sistema de plantio direto. Esse método preserva os resíduos culturais na superfície do solo, ajudando a protegê-lo contra a erosão e favorecendo a retenção de umidade em períodos de seca.

A janela de plantio se estende do meio de maio até o meio de julho, com maior concentração de atividades em junho.

Projeções Climáticas e Impactos Econômicos

As projeções meteorológicas citadas no boletim indicam que as chuvas devem aumentar ao longo do ciclo da cultura, elevando os riscos durante fases cruciais como o florescimento e enchimento de grãos. Ao mesmo tempo, agricultores reportam um aumento significativo nos custos de fertilizantes e na mecanização, além de uma maior cautela na obtenção de financiamentos.

A relação de troca entre ureia e trigo atingiu uma alta histórica de 3,45, refletindo um aumento de 72% em apenas um ano.

Com o impacto do conflito no Oriente Médio, que afetou o comércio global de fertilizantes, este mercado permanece volátil. Em maio de 2026, o preço futuro da ureia supera os valores de importação de março, mantendo um cenário instável.

Redução da Área Cultivada

A pressão nos custos levou muitos produtores a tomarem atitudes mais conservadoras, como a diminuição da área destinada ao cultivo e a adoção de culturas alternativas de inverno ou plantas para recuperação do solo. Previsões indicam uma queda expressiva na área plantada em diversas regiões catarinenses, com estimativas de redução de até 30% no Extremo Oeste e de 40% nas regiões Oeste e Meio-Oeste.

O Epagri/Cepa planeja divulgar estimativas oficiais sobre a área e a produtividade na próxima semana.

Cenário Nacional

No cenário nacional, as safras também enfrentam dificuldades, com estimativa de uma redução de 9,2% na área plantada e uma produção prevista de 6,6 milhões de toneladas, 16% a menos que na safra anterior. As condições climáticas adversas, expectativas de baixa rentabilidade e o aumento dos custos de insumos e combustíveis são fatores que estão contribuindo para essa retração.

Até 1º de maio, 9,9% da área destinada ao trigo já havia sido semeada, com 57,8% das lavouras no desenvolvimento vegetativo e 42% em fase de emergência.

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