Suspensão traz preocupações ao setor produtivo nacional

Desde o dia 3 de setembro, a União Europeia interrompe a importação de produtos de origem animal do Brasil, um movimento que coloca em alerta especial os setores de carne bovina e mel. Este veto foi motivado por uma avaliação negativa da UE sobre os padrões de controle de antimicrobianos do país.
Embora as exportações de carne bovina para a UE representem apenas 3,7% do total exportado pelo Brasil, o prestígio associado ao mercado europeu é inegável. Esse bloco é visto como uma vitrine, pois atender às suas rigorosas exigências pode abrir portas para outros mercados internacionais.
✨ A União Europeia excluiu o Brasil de sua lista de países que cumprem as normas sobre antimicrobianos, mas não encontrou irregularidades nas carnes brasileiras.
Os especialistas destacam que, apesar de o volume enviado à Europa ser relativamente pequeno, a região paga valores significativamente mais altos. Por exemplo, enquanto a China, que absorve a maior parte da carne brasileira, paga em média US$ 6,50 por quilo, a UE paga cerca de US$ 10 por quilo.
Os cortes de carne mais valorizados pela UE incluem o filé mignon, contrafilé, alcatra e coxão mole, todos de procedência rigorosamente auditada. A suspensão temporária pode impactar e desestimular os produtores a manterem esses elevados padrões de qualidade no futuro.
Com a suspensão das importações, estima-se que o Brasil possa perder mais de US$ 500 milhões no setor de carne bovina. Além da questão econômica, as expectativas para a reabertura dos mercados são incertas.
Produtores já estão buscando alternativas de mercado, mirando especialmente nos EUA. Alguns, como o pecuarista André Bartocci, expressaram preocupações de que a suspensão possa levar a uma redução nos padrões de rastreabilidade exigidos pelos europeus.
O processo de autorização para exportar à UE não é simples; apenas nove estados brasileiros têm essa licença, e cada propriedade deve estar em conformidade com os estritos requisitos de saúde animal e bem-estar.
Os produtores temem que a queda no incentivo financeiro motive uma desaceleração na adoção dos requisitos europeus, o que poderia reduzir a reputação da carne brasileira no cenário global.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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