Expectativas de exportadores brasileiros não são atendidas em curto prazo.

O chefe-adjunto da Delegação da União Europeia no Brasil, Jean-Pierre Bou, afirmou que a UE encara dificuldades para reintegrar o Brasil à lista de países autorizados a exportar carne bovina para o bloco em um prazo inferior a dois anos. A declaração foi feita em entrevista ao g1 na última quinta-feira.
Exportadores brasileiros pleiteiam que o governo federal estabeleça um período de transição que facilite a retomada das exportações antes desse prazo. No entanto, até o momento, a União Europeia não demonstrou interesse em abrir negociações a respeito.
✨ "Parece difícil, mas todos os envolvidos estão tentando resolver a situação o mais rápido possível," disse Bou.
Durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), Bou discorreu sobre a percepção do Brasil na Europa e enfatizou a necessidade de o país continuar seus esforços contra o desmatamento para melhorar sua imagem. Ele mencionou também os desafios do Brasil em atender à nova legislação antidesmatamento da UE e as possíveis oportunidades que podem surgir com o acordo Mercosul.
Em seu discurso, ele destacou que a UE suspendeu as importações de produtos de origem animal do Brasil em 3 de setembro, após excluir o país da lista de nações que cumprem as regras de uso de antimicrobianos na pecuária.
Bou esclareceu que o processo para restaurar as exportações de carne bovina seria moroso, pois a UE requer comprovação de que não houve uso de antimicrobianos em nenhum estágio da vida do animal antes do abate.
Ele também avaliou que, embora haja frustração por parte dos brasileiros, o acordo com o Mercosul trouxe muitas oportunidades, destacando um aumento nas exportações de produtos agrícolas, como uvas e café.
Para melhorar sua imagem na Europa, Bou recomendou que o Brasil não desista dos avanços nas políticas ambientais e considere utilize áreas já degradas para expandir a produção agrícola, evitando novas desmatamentos.
A forma como o Brasil se prepara para as exigências da lei antidesmatamento da UE varia entre setores e regiões, como mencionou Bou, que elogiou os esforços no setor do café, mas notou dificuldades em outros segmentos, especialmente na pecuária.
Além disso, Bou destacou a bioeconomia como uma oportunidade de expandir a presença de produtos brasileiros no mercado europeu, sugerindo que existem muitos itens da Amazônia que ainda não são amplamente reconhecidos entre os consumidores europeus.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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