Relatório de outubro destaca importações brasileiras e mudanças na oferta e demanda mundial.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou a nova estimativa de produção de trigo do Brasil para a safra 2026/27, reduzindo-a de 6 milhões para 5,8 milhões de toneladas. Para suprir a demanda interna, o órgão prevê que o Brasil necessitará importar 7,5 milhões de toneladas, embora representantes do setor considerem que esse volume pode chegar a 10 milhões de toneladas.
No cenário global, o relatório de outubro indica um aumento na oferta e no consumo de trigo, mas uma queda no comércio internacional e uma leve diminuição nos estoques finais. A produção mundial foi ajustada para 822,39 milhões de toneladas, enquanto a oferta foi aumentada para 1,1039 bilhão de toneladas devido a estoques iniciais mais altos, especialmente na Austrália, onde a produção é estimada em 31 milhões de toneladas.
✨ O consumo global foi elevado para 827,9 milhões de toneladas, refletindo um aumento no uso de trigo para alimentação animal.
Entre os principais países produtores, o USDA revisou a produção dos Estados Unidos para 41,74 milhões de toneladas, o que ainda representa a menor colheita desde 1970. Para a União Europeia, a previsão foi cortada para 133 milhões de toneladas. As estimativas do Canadá e da Turquia subiram, enquanto a produção da Argentina foi mantida em 21,5 milhões de toneladas, com exportações aumentando de 15,5 milhões para 16 milhões de toneladas.
O USDA também revisou a projeção do comércio mundial de trigo, cortando-a em 2,8 milhões de toneladas para 209 milhões de toneladas, com reduções nas exportações da Rússia e dos Estados Unidos, enquanto as exportações da Argentina e do Canadá aumentaram. A Rússia viu sua produção estimada em 88 milhões de toneladas, com expectativas de exportações caindo para 40 milhões, o volume mais baixo em cinco anos, em meio a dificuldades logísticas. A Ucrânia manteve sua produção prevista em 26 milhões de toneladas, com exportações de 12,5 milhões.
Esse declínio no comércio global, apesar do aumento do consumo, impacta as projeções de disponibilidade para países importadores como o Brasil, que deverá contar fortemente com as importações para suprir sua demanda.
Os estoques globais de trigo ao final da safra 2026/27 foram estimados em 276 milhões de toneladas, apresentando ligeira redução em relação à projeção anterior. As quedas nos estoques da União Europeia, China, Argentina, Egito e outros países são quase totalmente equilibradas pelos aumentos esperados na Rússia, Austrália e Estados Unidos.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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