Adaptação a mudanças climáticas é chave para o setor

O setor vitivinícola brasileiro testemunha um crescimento no uso de práticas de produção com menor impacto ambiental. Hoje, a qualidade do vinho é moldada não apenas pela tradição e tecnologia, mas também pela urgência de se tornar sustentável.
De acordo com Gabriel Almeida da Silva, analista de Agronomia do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), a adaptação às mudanças climáticas é essencial. "Essa nova realidade está norteando as decisões no campo da viticultura", observa.
✨ A sustentabilidade se estabelece como um imperativo que vai além do marketing voltado ao consumidor.
O Consevitis tem implementado o protocolo internacional Primary Farm Assurance (PFA), que visa certificar produtos e empresas de acordo com as melhores práticas agrícolas globais. Essa iniciativa, que certificou 211 produtores gaúchos e compreende mais de mil hectares, é uma parceria com o Sebrae e a multinacional UPL. Em 2026, os resultados dessa certificação abriram portas para práticas de agricultura regenerativa e produção de uvas de baixo carbono na região.
Empresas como a Vinícola Salton, localizada em Bento Gonçalves, estão integrando inovação e tecnologia em sua produção. Usando dados em tempo real sobre clima, temperatura e umidade, a Salton melhora o manejo das videiras e minimiza o uso de insumos químicos.
""Pesquisas que cruzam registros climáticos e dados de qualidade das uvas beneficiam toda a viticultura brasileira," destaca Junior Marques, coordenador de Viticultura da Azienda Domenico.
A Cooperativa Vinícola Aurora também se destaca ao implementar medidas para mitigar os impactos das mudanças climáticas. Maurício Bonafé, gerente agrícola da cooperativa, informa sobre práticas que vão desde a escolha de variedades de uvas adequadas até o manejo do solo para evitar erosão e perda de nutrientes.
A vinícola Cavalleri, no Vale dos Vinhedos, reforça essa tendência ao priorizar a sustentabilidade na sua produção. Vanessa Cavalleri, diretora de Marketing, ressalta a rastreabilidade e uso de resíduos de uva como adubo.
As vinícolas também estão aprimorando a gestão da mão de obra, especialmente após denúncias relacionadas ao trabalho temporário. A Aurora tomou a decisão de não terceirizar mais esses trabalhadores, criando um Programa de Saúde e Segurança do Trabalhador Rural.
A Salton desenvolveu um Código de Conduta para evitar práticas inadequadas e garantir condições dignas para todos os colaboradores. Essas mudanças são parte de uma estratégia mais ampla que visa não só a sustentabilidade ambiental, mas também o respeito aos direitos humanos.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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