Especialistas discutem planejamento e preparação para desastres após enchentes de 2024

A necessidade de revisar a ocupação de áreas vulneráveis e intensificar a preparação para eventos climáticos extremos tornou-se um dos principais desafios do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. A discussão ocorreu no Tecnopuc Experience 2026, realizado em Porto Alegre, onde especialistas enfatizaram a importância de mudanças no planejamento territorial, integração entre municípios e o fortalecimento dos planos de contingência para minimizar os impactos de novos desastres.
Foi ressaltado que a prevenção não se limita apenas a obras ou medidas emergenciais, mas também envolve a capacidade de identificar riscos, organizar respostas e considerar as condições das comunidades expostas. A prioridade no planejamento dos territórios foi citada, especialmente em regiões onde a ocupação urbana e a vulnerabilidade social dificultam a proteção da população.
De acordo com Cláudio Ari Mello, professor da Escola de Direito da PUCRS e integrante do Gabinete do Clima do Ministério Público estadual, um dos principais desafios é preparar os territórios densamente ocupados para emergências. Ele afirmou que os planos de contingência devem levar em conta as características locais e envolver tanto o conhecimento científico quanto a participação das comunidades.
✨ A integração regional foi uma questão chave no debate, pois os efeitos dos desastres costumam ultrapassar os limites de um único município, exigindo estratégias de planejamento que considerem as interconexões entre diferentes localidades.
Cibele Vieira Figueira, professora da Escola Politécnica da PUCRS, mencionou que durante as enchentes de 2024 participou de iniciativas do projeto #Força RS, que levantou informações sobre abrigos emergenciais. Essa experiência demonstrou a mobilização coletiva em tempos de crise, mas também ressaltou as desigualdades que complicam a situação de grupos vulneráveis.
Os especialistas também apontaram a importância de preparar os serviços de saúde para os efeitos prolongados de desastres climáticos, que se estendem mesmo após a diminuição das águas. Abner Willian Quintino de Freitas, fundador da startup Hopeful, destacou a necessidade de um acompanhamento contínuo das populações afetadas, levando em consideração os impactos na saúde mental e a falta de dados sobre as condições dos afetados ao longo do tempo.
Gabriel Wedy, professor do Programa de Pós-Graduação em Direito da PUCRS, discutiu a importância da educação ambiental desde a pré-escola até o ensino superior, argumentando que a conscientização sobre a crise climática é necessária para formar uma sociedade mais preparada. Além disso, ele sugeriu que a área jurídica desenvolva melhores formas de comunicação sobre os desafios das mudanças climáticas.
A gestão de resíduos também foi abordada, com Lucas Fontes, cofundador da Green Thinking, enfatizando que os hábitos de consumo e descarte influenciam as condições ambientais. Segundo ele, os desastres acentuam a relação entre resíduos, ambiente e saúde pública, e é vital que a responsabilidade pelas práticas sustentáveis seja compartilhada entre o governo e a população.
As discussões ocorreram em um painel moderado por Laís Lucas, professora da PUCRS, que reuniu representantes das áreas jurídica, ambiental, tecnológica e de saúde. O Tecnopuc Experience, que chegou à sua nona edição em 2026, envolve universidades, empresas e empreendedores na busca por soluções para desafios contemporâneos.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!

Saneamento, transporte, escolas e unidades de saúde impactam na vida nas cidades.

Caso ocorreu durante aula na Escola Municipal Professor Lanza Neto.

Manaus segue com aulas suspensas devido à fumaça das queimadas.

Pesquisa revela que 52% dos brasileiros estão mais preocupados com os impactos da IA no trabalho e na sociedade.