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Brasil
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Fronteira agrícola brasileira confia mais nos EUA do que na China

Pesquisa da FGV RI revela que dependência econômica não garante alinhamento político.

Carlos Silva23 de junho de 2026 às 11:10
Fronteira agrícola brasileira confia mais nos EUA do que na China

Uma nova pesquisa da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV RI) desafia a ideia de que a dependência econômica leva a um alinhamento político, indicando que a população da fronteira agrícola brasileira confia mais nos Estados Unidos do que na China.

A China foi responsável por 80% das exportações de soja e 86% das de carne bovina da região em 2022.

De acordo com o estudo "Como a Fronteira Agrícola Vê as Relações Internacionais", 21,8% dos entrevistados consideram os Estados Unidos como "muito confiáveis", em contraste com apenas 12,6% para a China. A pesquisa também revela uma queda significativa na confiança na China, que recuou aproximadamente 20 pontos percentuais desde 2017, apesar do aumento do comércio entre os dois países.

Matias Spektor, diretor da FGV RI e coautor do estudo, destaca que, apesar das intensas relações comerciais, a dependência econômica da China não se traduz em apoio político por parte dos moradores da fronteira agrícola.

Percepções sobre regulamentos ambientais

O levantamento também abordou a opinião dos residentes em relação às exigências ambientais da União Europeia. Quase 75% acreditam que aderir a essas regras fortalece a reputação internacional do Brasil. Entretanto, 66,9% consideram que esses regulamentos diminuem a competitividade dos produtos brasileiros, e 61,5% apontam que as normas atendem sobretudo aos interesses econômicos europeus.

Perfil político e influência futura

A pesquisa traçou um perfil político predominantemente conservador na região, com cerca de 83,5% dos entrevistados se identificando como direita ou centro, enquanto apenas 16,5% se colocam à esquerda. A maioria acredita que o governo interfere demasiadamente na vida das pessoas e que a regulação estatal é mais prejudicial do que benéfica para os negócios.

Os pesquisadores ressaltam que essa postura antiestatista pode explicar a maior confiança nos EUA, a desconfiança em relação às normas da União Europeia e a ceticismo em relação ao modelo estatal chinês.

Com a crescente importância econômica e eleitoral da fronteira agrícola, esses fatores podem influenciar cada vez mais a política externa brasileira. Atualmente, a região corresponde a cerca de 15% do eleitorado nacional e 25% das exportações do país.

Contexto

A pesquisa abrangeu 1.000 pessoas em 70 municípios das regiões Centro-Oeste e Norte entre outubro e novembro de 2025, com o objetivo de entender como esses moradores percebem as grandes potências globais e a regulamentação comercial que afeta suas atividades econômicas.

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