Manifestantes prometem continuar atos após desmantelamento de acampamentos e prisões.

Milhares de manifestantes se reuniram em Lisboa e no Porto para protestar contra o agravamento da crise habitacional, prometendo dar continuidade aos atos nesta terça-feira (20). A manifestação aconteceu poucas horas após a polícia desmontar acampamentos e realizar 55 prisões.
Uma assembleia popular em Lisboa decidiu retornar à praça do Rossio com barracas nesta quarta-feira. A cantora Ana Moura uniu-se à causa, fazendo uma performance em apoio aos manifestantes. Segundo organizadores, mais de mil pessoas participaram em cada uma das praças, mas a polícia não forneceu estimativas oficiais.
A situação econômica de Portugal, que enfrenta uma das piores crises de acessibilidade à habitação da Europa, foi bem exemplificada por Débora Miranda, de 41 anos, consultora de comunicação, que declarou à Reuters: 'Se as pessoas não se sentem em casa, em todos os sentidos da palavra, não conseguem seguir com as suas vidas… já chega.'
✨ Desde 2017, os preços imobiliários em Portugal dobraram, e os aluguéis para novos contratos também quase duplicaram. Os manifestantes exigem que o governo retire a proposta de lei que facilita os despejos e retira os limites de aluguel.
A polícia, em uma operação que ocorreu antes das 6h da manhã, considerou a ação 'calma e adequada', apesar das críticas sobre a agressividade da desocupação. As pessoas detidas foram liberadas e devem comparecer a uma audiência judicial.
Jorge Paixão, de 19 anos e estudante de História, descreveu a situação como 'uma crise social' e enfatizou a necessidade de sua geração viver com dignidade e construir um futuro em Portugal.
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