Presidente renunciou, mas Legislativo rejeitou pedido; medida atinge direitos políticos do ex-presidente.

Na noite desta sexta-feira, o Senado do Paraguai aprovou o impeachment do presidente Santiago Peña, em resposta ao escândalo relacionado ao Ueno Bank. Embora Peña tenha apresentado sua renúncia na quinta-feira, o Legislativo decidiu rejeitá-la.
Com a aprovação do impeachment, Peña perde o direito ao cargo de senador vitalício, que é concedido a ex-presidentes, assim como sua imunidade parlamentar. A Câmara dos Deputados votou a favor do impeachment com 78 votos sem qualquer oposição, enquanto no Senado o resultado foi de 44 a 0.
✨ A decisão representa um novo revés para a direita sul-americana, em um contexto em que o presidente Lula (PT) recentemente venceu o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições.
Em meio à crise envolvendo o banco, o Banco Central do Paraguai começou a realizar pagamentos antecipados aos correntistas do Ueno Bank, que deixou cerca de três milhões de clientes sem acesso aos seus fundos.
Anunciando a destituição, o presidente do Senado, Basilio Núñez, declarou: 'De acordo com o resultado da votação, declara-se culpado o acusado Santiago Peña Palacios por mau desempenho de suas funções e, consequentemente, ele é destituído de pleno direito do cargo de presidente da República do Paraguai.'
O colapso do Ueno Bank, que desde sua fundação em 2021 reunia três milhões de clientes (aproximadamente 60% da população adulta do Paraguai), gerou um grande terremoto político. O banco teve um crescimento acelerado, impulsionado por apoio à seleção de futebol e significativos depósitos estatais.
Santiago Peña, que já foi ministro da Fazenda e acionista do Grupo Vázquez, indicou Carlos Carvallo para a presidência do Banco Central, ignorando diversos alertas a respeito de empréstimos ilegais. A situação se deteriorou após uma auditoria confirmar a existência de despesas disfarçadas como ativos e reservas abaixo do mínimo legal.
O pânico se espalhou rapidamente, levando clientes a correrem para outros bancos após a intervenção travar cartões e aplicativos. Após a crise, Carvallo renunciou ao Banco Central, enquanto a Justiça prendeu oito executivos do Ueno Bank, incluindo seu fundador e outros altos cargos.
Correntistas, aposentados e trabalhadores têm protestado em massa, clamando pelo pagamento de salários retidos e responsabilização das autoridades envolvidas na crise.
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Jornalista especializado em Brasil

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