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Ciência
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Estudo revela peste letal entre caçadores-coletores no Lago Baikal

Surto de peste há 5.500 anos afetou principalmente crianças na região.

Camila Souza Ramos17 de junho de 2026 às 16:50
Estudo revela peste letal entre caçadores-coletores no Lago Baikal

Um novo estudo revela que, há cerca de 5.500 anos, os grupos de caçadores-coletores que habitavam a região do Lago Baikal, na Sibéria, enfrentaram um devastador surto de peste que afetou especialmente os mais jovens.

A pesquisa descobriu cepas antigas da Yersinia pestis, a bactéria causadora da peste, em corpos de crianças e adolescentes enterrados em sítios funerários da área.

Os cientistas coletaram DNA antigo de 46 restos mortais, revelando uma taxa de infecção surpreendente de 39% entre as amostras, que é mais alta do que muitas valas comuns da Idade Média. Esses achados indicam que a Yersinia pestis tem uma história muito mais longa e complexa do que se pensava anteriormente.

De acordo com os pesquisadores, a análise genética sugere que a bactéria pode ter se originado em marmotas, com os caçadores-coletores entrando em contato direto com os roedores. Essa interação aparentemente facilitou a transmissão da doença entre os grupos humanos, que viviam em pequenas comunidades interligadas.

Impacto da Doença e Descobertas Evolutivas

Os especialistas destacaram a singularidade do surto, observando que a maioria das vítimas era composta por jovens, o que indica características genéticas distintas nas cepas que eram letais para essa faixa etária. Essa descoberta desafia a noção de que a peste tinha se tornado mais agressiva apenas após a formação de sociedades agrícolas.

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As descobertas mudam fundamentalmente a forma como pensamos sobre as origens e o impacto inicial de um dos patógenos mais importantes para a humanidade

Eske Willerslev, geneticista evolucionista.

Contexto Adicional

As epidemias de peste ao longo da história, como a Peste de Justiniano e a Peste Negra, foram responsáveis por mortes massivas em populações humanas, mas a documentação sugere que os surtos começaram antes do que se supunha.

Muitos dos sepultados eram crianças, muitas vezes irmãos, enterrados juntos, o que sugere que o impacto social foi profundo e devastador para as comunidades de caçadores-coletores da época.

Com a falta de registros escritos, as descobertas, que foram publicadas na revista Nature, abrem um novo leque de discussões sobre a luta da humanidade contra a peste e suas implicações nas populações antigas.

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