Brasil registra 12,5 anos em saúde ruim, segundo pesquisa da Lancet
Estudo avalia qualidade de vida em 204 países e revela aumento na última década

Um novo estudo publicado na prestigiada revista The Lancet Public Health revela que os brasileiros enfrentam um desafio significativo em relação à saúde, vivendo em média 12,5 anos em condições consideradas ruins. Esta pesquisa posiciona o Brasil em 16º lugar entre 204 nações e territórios avaliados, destacando um aumento de 20% no tempo vivido em situação de saúde desfavorável desde 1990.
Crescimento no tempo de vida em saúde ruim
O estudo calcula a diferença entre a expectativa de vida ao nascer e a expectativa de vida saudável (HALE), que é o tempo sem doenças ou incapacidades. O Brasil ficou atrás de países como os Estados Unidos, com 14 anos, Austrália e Canadá, com 13,9 e 13,7 anos, respectivamente. Os menores períodos foram observados em Nauru, com 6,9 anos, Ilhas Salomão, com 7,3 anos, e Laos, com 7,4 anos.
✨ Desde 1990, o Brasil viu um aumento de 2,1 anos em saúde ruim, enquanto a média global subiu 2 anos.
Impactos da pandemia e causas da má saúde
Durante a pandemia de Covid-19, o Brasil registrou variações no indicador, com 11,7 anos em 2020 e 12,2 anos em 2022. O período entre 2020 e 2022 é descrito como uma fase de disrupção, evidenciando uma queda na expectativa de vida e na expectativa de vida saudável.
O estudo identifica cinco principais causas responsáveis por 57,4% dos anos vividos em condições de saúde insatisfatórias: distúrbios musculoesqueléticos, transtornos mentais (como depressão e ansiedade), doenças dos sentidos, lesões não intencionais e outras condições não transmissíveis.
Fatores de risco
Os principais fatores que contribuem globalmente para a má saúde incluem glicemia elevada, índice de massa corporal elevado, desnutrição e tabagismo. Na América Latina, a glicemia elevada e o IMC alto figuram entre os riscos mais relevantes.
A pesquisa também apresenta desigualdades entre sexos, revelando que, em 2023, as mulheres viviam em média 12,1 anos em condições ruins, enquanto os homens viviam 9,3 anos.
Limitações e considerações
Os autores do estudo destacam que as estimativas podem ter incertezas que variam entre os anos analisados. As conclusões sobre a expansão da morbidade se baseiam em tendências gerais, não necessariamente em variações significativas individuais em cada país. Para o Brasil, a estimativa de saúde varia de 9,5 a 15,9 anos.
Este levantamento integra o Global Burden of Disease (GBD) 2023, desenvolvido pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington, com financiamento da Fundação Gates.
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