Análise genética confirma relações familiares entre as elites citas.

Um novo estudo revela que os guerreiros nomádicos conhecidos como citas, que dominavam as estepes eurasiáticas durante a Idade do Ferro, mantinham conexões de parentesco que sustentavam um sistema dinástico e desigualdade social. As elites citas desfrutavam de um status elevado, comprovado pelos sepultamentos luxuosos após a morte, com rituais que exaltavam sua posição.
Entre os membros da elite, destaca-se o famoso Homem de Ouro, cuja sepultura continha valiosos artefatos como armas de ferro, objetos de bronze e mais de 4.000 ornamentos de ouro. Análises genéticas conduziram à descoberta de que muitos indivíduos da casta alta, incluindo o Homem de Ouro, eram ligados por laços familiares, o que possibilitou a formação de uma estrutura social mais complexa do que se observava na Idade do Bronze.
O estudo, publicado na renomada revista Science Advances, envolveu a comparação de DNA de 85 indivíduos, sendo 38 deles provenientes de sepulturas de elite. Os resultados mostraram que as elites citas possuíam marcadores genéticos que evidenciam a ancestralidade comum, indicando que esses indivíduos formavam um subgrupo distinto dentro da população mais ampla, reforçando a tese de que seu poder e riqueza eram transmitidos de geração em geração.
"Esse trabalho é uma integração excepcional de dados genéticos, arqueológicos e textuais, revelando um sistema de status baseado em linhagem que se reflete tanto na riqueza quanto no poder, essencial para entender a evolução social entre os citas.
✨ Os túmulos da elite citas não eram apenas locais de sepultamento, mas grandes monumentos que simbolizavam o poder e a riqueza das famílias.
Os kurgans, túmulos citadinos, atingiam até 15 metros de altura e eram circundados por rituais funerários complexos, sugerindo um elevado status entre os sepultados. A descoberta de que descendentes de figuras de elite, incluindo crianças, recebiam sepultamentos grandiosos reforça a ideia de que o poder e a riqueza eram transmitidos não apenas entre homens, mas também entre mulheres, desafiando as noções tradicionais sobre papéis de gênero em sociedades antigas.
Mulheres de status elevado também faziam parte da elite cita, como demonstrado por sua rica cultura material, que incluía ornamentos elaborados e práticas funerárias significativas. Segundo Ventresca-Miller, essa dinâmica revela uma complexidade no papel das mulheres nas sociedades nômades, onde sua riqueza e influência eram reconhecidas.
✨ A pesquisa levanta questões sobre as razões que levaram ao desenvolvimento de uma estrutura social dinástica entre os citas, sem paralelos em períodos anteriores.
Childebayeva, uma das autoras do estudo, expressou interesse em investigar mais a fundo as causas desse surgimento de desigualdade e a evolução do status social entre os citas, especialmente em relação ao que motivou a transição de sociedades mais igualitárias na Idade do Bronze para uma elite diversificada durante a Idade do Ferro.
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Jornalista especializado em Cultura & Entretenimento

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