Tratado abrange 700 milhões de consumidores e US$ 22 trilhões

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor de forma provisória nesta sexta-feira (1º de maio). Este tratado, que se torna um dos maiores do mundo, com um mercado total de cerca de 700 milhões de consumidores e um valor estimado de US$ 22 trilhões, visa promover o comércio e a cooperação entre os blocos.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o acordo é composto por dois instrumentos jurídicos: o primeiro é um acordo comercial provisório, focado apenas no aspecto comercial; o segundo é um acordo de parceria que inclui dimensões política e de cooperação, cuja ratificação é mais complexa.
✨ A aplicação provisória permite que o componente comercial do tratado comece a vigorar antes da ratificação completa por todos os países da UE, facilitando o acesso imediato a seus benefícios.
A implementação do acordo comercial enfrenta resistência em alguns países da União Europeia, especialmente entre setores do agronegócio, que teme a concorrência das nações sul-americanas. Nos países do Mercosul, o processo legislativo para aprovação é o mesmo para ambos os instrumentos, enquanto na Europa, o acordo comercial precisa apenas da aprovação do Parlamento Europeu.
Com a aprovação provisória, os benefícios práticos do acordo podem ser sentidos antes mesmo de sua ratificação final, que pode levar anos para ser completada. A Comissão Europeia formalizou essa decisão ao enviar uma "nota verbal" ao Paraguai, o país que guarda os tratados do Mercosul. O objetivo principal é garantir que empresas, consumidores e agricultores colham frutos imediatos.
Além disso, a aplicação provisória visa fortalecer a cooperação entre os blocos em assuntos cruciais, como direitos trabalhistas e mudanças climáticas, e robustecer as cadeias de suprimento. O comissário de comércio da Comissão Europeia, Maroš Šefčovič, enfatizou a intenção de transformar o acordo em oportunidades concretas para o crescimento das empresas europeias.
"A prioridade agora é transformar o acordo entre a UE e o Mercosul em resultados concretos, dando aos exportadores europeus a plataforma de que precisam para aproveitar novas oportunidades de comércio, crescimento e geração de empregos.
No Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que a adoção do acordo representa a diversificação dos mercados e a redução de vulnerabilidades externas, reforçando a resiliência da economia local frente a impactos globais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também oficializou a promulgação na última terça-feira.
No entanto, não há previsão para a entrada em vigor definitiva do acordo, que depende da ratificação por todos os membros da União Europeia, um processo que deve levar um tempo considerável.
União Europeia: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Suécia. Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai.
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