Setores industriais e automotivos foram os mais impactados.

Nesta terça-feira (1º de agosto), as bolsas de valores na Europa enfrentaram um fechamento majoritariamente negativo, impactadas pelo aumento dos rendimentos dos títulos soberanos e pela alta dos preços do petróleo, em meio à intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Esse cenário alimentou temores em relação à inflação, além de elevar as expectativas de um aumento nas taxas de juros. Os setores mais afetados foram aqueles industriais, automotivos e de defesa, enquanto as ações de empresas petrolíferas se destacaram em meio ao avanço dos preços.
O índice FTSE 100 de Londres fechou em baixa de 0,32%, aos 10.789,28 pontos. O DAX de Frankfurt registrou uma queda de 1,14%, fechando a 25.958,31 pontos. O CAC 40 de Paris recuou 0,39%, para 8.301,85 pontos, enquanto o FTSE MIB de Milão cedeu 1,33%, alcançando 51.915,18 pontos. O Ibex 35 de Madri caiu 0,84%, para 19.805,50 pontos, mas Lisboa apresentou uma leve alta de 0,44%, com o PSI 20 fechando em 9.478,42 pontos.
✨ Expectativas de aperto monetário pelo BCE aumentam em meio a crescimento inflacionário.
Na zona do euro, o índice de preços ao consumidor (CPI) anual subiu de 2,9% em julho para 3,3% em agosto, alinhando-se com as previsões do mercado, enquanto a inflação subjacente desacelerou para 2,4%. Essa movimentação acentuou as expectativas de uma política monetária mais rigorosa por parte do Banco Central Europeu (BCE).
A alta global dos títulos é impulsionada por vários fatores, incluindo preços elevados de energia, perspectivas de uma política monetária mais restritiva e maiores prêmios de risco fiscal.
Na Alemanha, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) industrial subiu para 54,3, indicando um crescimento no setor. Contudo, as vendas no varejo caíram 3,4% em julho em comparação a junho.
Adicionalmente, ações como a da Rheinmetall viram suas cotações despencar mais de 3%, reflexo da fraqueza do setor de defesa, enquanto as montadoras europeias também pressionaram os índices de forma negativa.
Entre as empresas com desempenho notável, a WPP em Londres caiu quase 4% após rumores sobre a possível redução de cerca de mil empregos até o final do ano. O UBS na Suíça também sofreu uma queda de quase 1%, apesar de recuperar parte de suas perdas ao fim do pregão, após decisões parlamentares que suavizaram as exigências de capital do banco.
Em contraste, as empresas petrolíferas se beneficiaram do aumento nos preços do barril de petróleo: TotalEnergies teve alta de 2,70% em Paris, Repsol subiu 2,61% em Madri e Galp viu sua cotação aumentar em 1,36% em Lisboa, contribuindo para manter o índice da cidade no campo positivo. Em Londres, a Reckitt Benckiser se destacou com uma valorização de mais de 4%.
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Jornalista especializado em Economia

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