Estudo aponta que aportes são necessários por no mínimo 20 anos para superar déficits no setor.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um estudo nesta terça-feira (15), propondo um novo regime de financiamento para infraestrutura, visando aumentar os investimentos no setor para 4,65% do PIB ao longo de pelo menos duas décadas. Esse investimento, que equivale ao dobro do atual, é considerado essencial para resolver gargalos em áreas como transportes, mobilidade urbana e saneamento básico, levando o Brasil a padrões internacionais.
Em 2024, ano utilizado como referência, foram investidos R$ 267 bilhões em infraestrutura, representando 2,27% do PIB, sendo que cerca de 70% desse total provém do setor privado. O estudo ressalta que não existe uma única fonte de financiamento que possa atender todas as necessidades de infraestrutura do país, e sugere que uma combinação de diversas ferramentas financeiras é imprescindível.
✨ A CNI enfatiza a necessidade de um ambiente econômico estável e a revisão das estruturas de financiamento para garantir segurança aos investidores.
O estudo também aponta que o novo regime deve ser fundamentado na estabilidade macroeconômica e fiscal, essencial para minimizar incertezas e reduzir o custo do capital. Para isso, é necessário fortalecer o mercado de capitais, aumentar a participação dos investidores institucionais e desenvolver instrumentos de financiamento a longo prazo.
Além disso, o documento destaca a importância de ampliar o crédito privado e o uso de project finance, facilitando a distribuição de riscos. O novo regime prevê mais projetos bem estruturados que fortaleçam a preparação para concessões e parcerias, com a ajuda de instituições como o BNDES e a Caixa. Segurança jurídica, previsibilidade regulatória e a autonomia técnica das agências reguladoras também são fundamentais para o sucesso desse modelo.
Por fim, a CNI conclui que para que o Brasil consiga mobilizar os recursos necessários em grande escala, todos esses aspectos devem funcionar de modo integrado. A atuação fortalecida do BNDES e de outras instituições públicas de desenvolvimento é considerada crucial para reduzir riscos, estruturar e viabilizar projetos, e aumentar a capacidade de trazer recursos privados de longo prazo.
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Jornalista especializado em Economia

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