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economia
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Crédito agrícola encolhe com alta da inadimplência rural

Endividamento rural cresce e restrições aumentam no setor agropecuário

Mariana Souza26 de maio de 2026 às 09:35
Crédito agrícola encolhe com alta da inadimplência rural

O endividamento crescente entre os agricultores está gerando uma maior cautela no setor de crédito, impactando diretamente o planejamento financeiro do agronegócio.

Estatísticas da Serasa Experian revelam que, no terceiro trimestre de 2025, 8,3% da população rural se encontrava com dívidas em atraso. Embora essa situação ainda não seja vista como um risco sistêmico ao sistema financeiro, o acesso ao crédito para os produtores se tornou mais restrito.

Em 2025, o agronegócio registrou quase 2 mil pedidos de recuperação judicial, o maior número já registrado pela Serasa Experian.

Marcelo Pimenta, especialista em agronegócio da Serasa, destaca que as dívidas estão majoritariamente concentradas em operações com bancos, enquanto os compromissos financeiros diretamente relacionados à cadeia agro respondem por apenas 0,3%, o que sugere uma certa estabilidade nas transações comerciais dentro do setor.

Desafios nas concessões de crédito

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que até mesmo os produtores que estão em dia com suas obrigações estão enfrentando dificuldades em obter crédito. Guilherme Rios, assessor técnico da CNA, afirma que as instituições financeiras passaram a solicitar garantias adicionais e a restringir os limites de crédito em comparação a safras anteriores.

De acordo com a CNA, houve uma queda significativa no volume de financiamentos para pessoas físicas, que despencou de R$ 111,9 bilhões entre março de 2024 e março de 2025, para R$ 90,5 bilhões entre março de 2025 e março de 2026 — uma redução de R$ 21,4 bilhões, ou 19,1%.

Problemas climáticos, volatilidade das commodities e custos elevados pressionam o crédito no agronegócio.

Contexto

As dificuldades atuais refletem uma combinação de fatores como alterações climáticas, aumentos nos custos de produção e falhas na gestão de riscos.

Com a diminuição do crédito e a imposição de condições mais rigorosas, muitos agricultores já estão indicando uma possível redução nos investimentos em tecnologia e no tamanho da área plantada, o que pode impactar a produtividade na safra 2026/2027.

As fontes consultadas concordam que a renegociação rápida das dívidas será crucial para a próxima safra. Sem essa solução, o cenário permanece de um mercado de crédito mais seletivo, com custos elevados e capacidade de investimento reduzida no campo.

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