Economistas alertam para pressão inflacionária em 2026 e 2027

A possibilidade de uma alta significativa da inflação nos próximos anos pode ser impulsionada não apenas pelo aumento do preço dos fertilizantes, em decorrência do conflito no Oriente Médio, mas também por eventos climáticos adversos, como o El Niño, que está previsto para ocorrer em 2026.
Economistas consultados alertam que a expectativa de um aumento nas taxas de inflação, já superando a meta de 3% estabelecida pelo Banco Central, é real para 2026 e 2027, em contraste com a aparente estabilização observada em 2025.
O fenômeno climático El Niño, que pode se intensificar no meio do ano, pode trazer dificuldades para a agricultura, especialmente na região Sudeste, que experimenta um período seco. Segundo estimativas da Warren Investimentos, esse cenário poderia adicionar até 2 pontos percentuais na alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) durante o biênio.
✨ Os preços de alimentos e bebidas são particularmente sensíveis a essas variações, representando 21,3% do IPCA.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, destacou as preocupações de seus clientes do agronegócio sobre o aumento nos custos dos fertilizantes, apontando que isso resultará inevitavelmente em preços mais altos para os consumidores.
Um estudo da Warren indicou que diversos produtos como carnes, leite e derivados, assim como panificados e óleos, são os que mais rapidamente refletem o aumento nos preços do petróleo e dos fertilizantes, aumentando a pressão inflacionária.
"Uma parte diminui em lucro, e a outra é repassada. Teremos alimentos mais caros pela frente porque não tem como fugir da alta desse insumo.
Andréa Angelo, estrategista de inflação, afirmou que as variações nos preços dos alimentos podem impactar significativamente a inflação geral, prevendo um aumento de até 1,7 ponto percentual por causa do encarecimento dos fertilizantes e do transporte dos produtos.
Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, observou que a taxa de inflação para alimentos e bebidas deverá permanecer elevada, apontando um possível aumento de 5,4% para 5% no IPCA, mas com riscos de se agravarem.
Luis Otávio de Souza Leal, sócio da G5 Partners, complementou que anos com o fenômeno do El Niño tendem a apresentar uma inflação média de 11,6% em alimentos, enquanto, sem o fenômeno, esse número cai para 6,1%.
✨ Caso o El Niño se confirme, a pressão nos preços dos alimentos poderá ser ainda maior no segundo semestre de 2026.
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