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    Economia
    3 min de leitura

    Tarifaço dos EUA pode afetar 35% das exportações brasileiras

    Riscos e consequências de tarifas adicionais em produtos nacionais

    Gabriel RodriguesAtualizado 09 de julho às 20:20
    A
    Tarifaço dos EUA pode afetar 35% das exportações brasileiras

    Representantes do Brasil se mostraram céticos após dois dias de audiência em Washington sobre a implementação de tarifas adicionais em produtos brasileiros. A expectativa é que os produtos nacionais enfrentem alíquotas significativas, embora a porcentagem exata ainda não esteja definida.

    Uma estimativa da Confederação Nacional da Indústria indica que 35,2% das exportações do Brasil para os Estados Unidos podem receber uma taxa de até 37,5%. Este aumento de impostos é resultado de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas ilegais e outra referente ao combate ao trabalho forçado em diversas nações.

    ✨ A lista inicial de exceções não inclui produtos como aço, considerados críticos para a indústria americana.

    O economista Ígor Lucena argumenta que as novas tarifas foram projetadas para atingir setores específicos da economia brasileira, sem exacerbar a inflação nos Estados Unidos. Para ele, o objetivo é calibrar a resposta comercial de forma a evitar impactos negativos dentro da própria economia dos EUA.

    O representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também trouxe preocupações semelhantes, destacando a dependência da indústria metalúrgica americana do ferro-gusa brasileiro, uma vez que o Brasil fornece mais de 60% deste insumo.

    O setor de café solúvel, que com o apoio de associações americanas, tenta se proteger das tarifas, enfatiza que Brasil e México juntos dominam 60% do fornecimento desse produto, o que torna difícil a sua substituição.

    Além disso, a indústria de calçados do Brasil enfrenta desafios semelhantes, com uma queda significativa nas exportações, refletindo a antecipação do mercado frente à eventual imposição de tarifas.

    Empresas americanas que dependem de insumos brasileiros também expressaram suas preocupações, pedindo uma revisão nas tarifas para evitar problemas na cadeia produtiva e financeira, o que inclui setores variados como bebidas e veículos elétricos.

    ✨ O que está em jogo é a balança comercial, com riscos de transferência de importações do Brasil para a China, que já domina uma parte significativa do mercado americano.

    O contexto jurídico para contestar essas medidas, segundo especialistas, está comprometido devido à paralisia no sistema de apelação da Organização Mundial do Comércio, limitando as opções do Brasil em torno de uma negociação efetiva.

    O senador Flávio Bolsonaro utilizou a oportunidade da audiência para sua agenda política, sugerindo que o tarifaço só deveria ser aplicado se o presidente Lula fosse reeleito. Essa postura levantou discussões sobre a posição do Brasil no cenário internacional.

    A ministra do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, evitou abordar diretamente as polêmicas, destacando que o foco deve ser em resultados positivos para o Brasil, enquanto o governo se prepara para debater soluções com o USTR.

    A advogada tributária Sabrina Lawder indica que as empresas devem repensar suas estratégias frente aos possíveis custos adicionais das tarifas, já que a negociação sobre divisão de custos será crucial diante da concorrência externa.

    Com a expectativa de que as tarifas sejam implementadas, embora num formato que pode diferir do inicialmente proposto, os setores envolvidos permanecem em alerta sobre os desdobramentos finais que devem ser revelados até 15 de julho.

    Gabriel Rodrigues

    Jornalista especializado em Economia com mais de 10 anos de experiência. Apaixonado por contar histórias que fazem a diferença.

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    Gabriel Rodrigues

    Jornalista especializado em Economia

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