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economia
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Brasil considera reciprocidade para enfrentar tarifas dos EUA

Empresas buscam alternativas, mas China pode ser uma solução parcial.

Gabriel Rodrigues19 de julho de 2026 às 05:15
Brasil considera reciprocidade para enfrentar tarifas dos EUA

Em resposta ao novo aumento das tarifas pelos Estados Unidos, o Brasil está considerando adotar medidas de reciprocidade para proteger setores internos prejudicados. Esse cenário obriga muitas empresas a buscar novos mercados para reduzir a dependência do consumidor americano.

A China, que se tornou o principal destino das exportações brasileiras, surge como uma alternativa viável. Entretanto, especialistas afirmam que o país asiático deverá absorver apenas uma parte limitada das vendas que poderão ser afetadas pelos recuos nas exportações para os Estados Unidos.

Em 2025, as exportações brasileiras para a China totalizaram quase US$ 100 bilhões, superando os US$ 37 bilhões para os EUA.

Desafios na transição de mercado

Os perfis de exportação dos dois países são diferentes, o que limita uma rápida substituição. Produtos industrializados, que compõem a maior parte das exportações destinadas aos EUA, não encontram equivalentes diretos nas compras feitas pela China, que se concentra mais em commodities.

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"Um fabricante brasileiro que não conseguir vender para os EUA pode não conseguir redirecionar sua produção diretamente para a China"

Wagner Pagliato, especialista em comércio internacional.

Embora a demanda por produtos agrícolas e minerais seja intensa na China, a estrutura tarifária e as exigências regulatórias impõem desafios adicionais. Desde este ano, a China estabeleceu cotas e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira, e as tarifas variam amplamente entre diferentes tipos de produtos.

Impactos econômicos e oportunidades

Com a economia chinesa apresentando crescimento mais lento, e enfrentando uma crise no setor imobiliário, os especialistas alertam que uma maior dependência do mercado chinês pode ser arriscada para o Brasil.

Por outro lado, as políticas de desenvolvimento da China, focadas em tecnologia e sustentabilidade, podem abrir novos espaços para produtos brasileiros, especialmente na área de minerais críticos.

Em 2025, o Brasil recebeu US$ 6,1 bilhões em investimentos chineses, reforçando sua posição como principal destino do capital da China.

O avanço nas negociações do Mercosul com países como Japão e União Europeia pode ser outra alternativa para equilibrar as relações comerciais e reduzir os impactos das tarifas americanas.

Diante da incerteza, as empresas brasileiras adotam uma postura cautelosa, avaliando as reações do mercado antes de tomar decisões drásticas sobre novos direcionamentos de exportação.

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