Investidores reagem a novas pesquisas que mostram senador à frente de Lula, mesmo com inflação acima das projeções.

As taxas dos DIs (Depósito Interfinanceiro) apresentaram queda nesta sexta-feira (9), especialmente entre os contratos de longo prazo, à medida que investidores reagiram positivamente a novas pesquisas eleitorais que colocam o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da corrida presidencial.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,52%, com uma redução de 3 pontos-base em relação ao ajuste de 12,548% da sessão anterior. Para janeiro de 2035, a taxa caiu para 12,37%, uma diminuição de 23 pontos-base comparado ao valor de 12,604%.
✨ Na semana, as taxas de DI despencaram 99 e 176 pontos-base, respectivamente, após Flávio Bolsonaro figurar à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição.
A nova pesquisa do Datafolha revelou que Flávio tem 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, colocando os candidatos em um empate técnico. A Atlas/Bloomberg também apontou Flávio com 51,1% contra 45,7% de Lula, com margem de erro de 1 ponto percentual.
O clima de otimismo em relação à liderança de Flávio no segundo turno impactou o mercado, com efeitos sobre o dólar e a curva de juros, além de fortalecer o Ibovespa. A expectativa é que, em caso de vitória, Flávio promova um controle mais rigoroso das contas públicas, ainda que não tenha apresentado propostas concretas até o momento.
Às 16h11, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a mínima intradiária de 12,330%, uma queda de 27 pontos-base. No entanto, o resultado do IPCA, índice oficial de inflação, que subiu 0,82% em setembro, acabou ofuscado pelos novos dados da eleição.
Basiliki Litvac, economista da XP, comentou que o IPCA superou as expectativas, indicando que a trajetória de inflação pode ter mudado. Os números da inflação revelaram pressões nos preços, especialmente nos serviços, que registraram um aumento significativo.
O economista-chefe do Bmg, Flávio Serrano, indicou que as surpresas na inflação não alteram o panorama atual, e que devido às pesquisas, há um viés favorável à queda nos juros.
O governo federal anunciou recentemente a ampliação de subsídios sobre combustíveis, em resposta à pressão causada pela guerra no Oriente Médio. Apesar disso, a curva de juros no Brasil se comportou de forma contrária ao mercado externo, onde os rendimentos dos Treasuries subiram.
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Jornalista especializado em Economia

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