Acessibilidade em seletivos no IFC e USP gera polêmica para surdos
Denúncias revelam falhas nos direitos de acesso durante avaliações.

Recentes incidentes no Instituto Federal Catarinense (IFC) e na Universidade de São Paulo (USP) destacam a dificuldade que candidatos surdos enfrentam em processos seletivos. As queixas revelam a falta de diretrizes claras sobre a utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas avaliações.
✨ Candidatos surdos denunciam a ausência de recursos de acessibilidade em avaliações acadêmicas.
No IFC, 45 candidatos surdos apresentaram queixas ao Ministério Público Federal, alegando que as adaptações de acessibilidade aprovadas para o concurso de professor de Libras não foram implementadas durante a prova. Problemas reportados incluem a falta de intérpretes para surdos-cegos e deficiências na tradução em Libras, afetando a compreensão do exame.
"Como eu iria fazer uma prova se não consigo enxergar e não tinha o recurso que havia sido autorizado?
O edital do IFC previa recursos como intérprete de Libras e tempo adicional, mas muitos deles não foram disponibilizados aos participantes. Na USP, a problemática é diferente, com candidatos ao mestrado na Faculdade de Educação criticando a imposição de responder apenas em português escrito, desconsiderando a Libras como sua língua de primeira ordem.
Alexandre Melendes, um dos candidatos, questiona: 'A USP quer avaliar minha pesquisa ou o que sei de português?'. Essa situação expõe como as decisões de cada banca podem prejudicar a acessibilidade para surdos, já que as normas institucionais são aplicadas de maneira inconsistente.
Ana Claudia Balieiro Lodi, especialista em educação bilíngue para surdos, aponta que a variação na aplicação da Libras deriva da interpretação da legislação vigente. Apesar da Lei de Libras e do Decreto 5.626/2005 reconhecerem a língua como um meio de comunicação legítimo, a prática nas seleções acadêmicas ainda carece de uniformidade.
Contexto
Dados do IBGE revelam que, em 2022, 63,1% das pessoas com deficiência com 25 anos ou mais não haviam concluído o ensino fundamental. Em contrapartida, 19,5% das pessoas sem deficiência completaram a graduação.
As disparidades educacionais, agravadas por barreiras linguísticas, são evidentes. Apesar de algumas instituições, como UFPR e UFSC, já adotarem critérios de acessibilidade mais robustos, a USP ainda não implementou medidas semelhantes, criando um ambiente de incerteza e dificuldade para candidatos surdos.
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