TCU mantém suspensão da concessão da Ferrogrão após denúncias de irregularidades
Órgão fiscalizador destaca a falta de consulta a povos indígenas e riscos financeiros no projeto.

A análise do projeto de concessão da Ferrogrão, que visa ligar o estado do Mato Grosso ao Pará para facilitar o escoamento de grãos do Centro-Oeste, foi suspensa pelo TCU (Tribunal de Contas da União). A decisão foi tomada em resposta a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), que denunciou irregularidades significativas no processo.
Irregularidades e Consultas Ignoradas
De acordo com o TCU, a suspensão foi embasada em uma representação que ressaltou a ausência de uma Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) com os povos indígenas que seriam impactados pela obra. O ministro-substituto Marcos Bemquerer Costa apontou que o projeto apresenta riscos elevados e carece de maior amadurecimento.
"O projeto ainda está longe de ser viável e traz riscos institucionais e jurídicos inaceitáveis
✨ O traçado da Ferrogrão pode afetar diretamente 48 territórios indígenas.
Contexto
As denúncias levantadas pelo MPF foram reforçadas em 2021, quando o órgão argumentou que audiências públicas sem consultas diretas aos povos tradicionais não garantiriam a devida transparência e participação.
O TCU também destacou que o leilão não deve ser realizado sem a devida licença prévia do Ibama, a fim de evitar uma subavaliação dos custos socioambientais. Licitar sem essa licença pode levar a atrasos e questionamentos sobre o equilíbrio financeiro da obra.
- 1Aporte público previsto de R$ 3,5 bilhões
- 2Risco de insuficiência financeira devido a discrepâncias nas projeções
- 3Demandas financeiras podem ultrapassar valores disponíveis
Além das questões relacionadas à consulta aos povos indígenas, o TCU também apontou inconsistências na nova modelagem financeira do projeto. A previsão de investimento cruzado de R$ 2,25 bilhões está aquém das necessidades financeiras projetadas, somando R$ 3,66 bilhões, evidenciando uma possível crise de caixa para a Ferrogrão.
Para que o processo de concessão avance, o Tribunal estabeleceu que a ANTT e o Ministério dos Transportes devem cumprir certos requisitos, incluindo a realização de novas audiências públicas e a obtenção da licença prévia, além de detalhamentos sobre o investimento público inicialmente previsto.
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