Pashinian celebra vitória em eleições que marcam ruptura com a Rússia
Eleições armênias consolidam a aproximação do país com o Ocidente.

O partido do primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinian, obteve uma vitória significativa nas eleições legislativas, conforme os resultados preliminares anunciados nesta segunda-feira, 8. Esse resultado reforça a mudança da Armênia em direção a uma aliança mais estreita com o Ocidente, apesar das pressões da Rússia.
Nos últimos anos, Pashinian tem buscado diminuir a dependência do país em relação à Rússia, ao mesmo tempo em que fortalece as relações com a União Europeia e os Estados Unidos. Ele celebrou a "vitória histórica" de seu partido, afirmando que isso garantirá o futuro e o desenvolvimento da Armênia.
✨ A vitória de Pashinian sinaliza um passo importante na aproximação da Armênia com a Europa.
Apesar de festejar a vitória, Pashinian também reiterou sua intenção de manter laços com Moscou. Enquanto isso, a Rússia - acusada de interferência na votação - criticou as "pressões" exercidas sobre a oposição e a injerência da União Europeia nas eleições armênias.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ressaltou o apoio da UE à Armênia, enfatizando o crescente interesse do país em se aproximar da Europa. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, que visitou Yerevan no mês passado, expressou seu desejo de apoiar essa transição.
O partido de Pashinian, Contrato Civil, conquistou 49,8% dos votos nas eleições, superando a aliança Armênia Forte de Samvel Karapetian, que recebeu 23,3%. O Parlamento armênio também contará com outras duas forças de oposição, incluindo a aliança Armênia do ex-presidente Robert Kocharian e o partido Armênia Próspera.
Entretanto, Karapetian denunciou o processo eleitoral como "vergonhoso", alegando irregularidades e repressão, apontando a detenção de vários membros de sua equipe durante a campanha. O Comitê de Investigação da Armênia anunciou que estava investigando 59 alegações de violações eleitorais.
Antecedentes
A Armênia, marcada por sua derrota militar para o Azerbaijão em 2020 e pela recente perda de Nagorno-Karabakh, busca redirecionar suas alianças estratégicas, especialmente com a crescente influência ocidental.
Pashinian tem criticado a Rússia por sua falta de apoio à Armênia durante as crises recentes, resultando em um distanciamento que inclui a suspensão da participação armênia em uma aliança regional sob liderança russa. O Kremlin, por sua vez, reage com descontentamento, temendo perder outro aliado na região.
Além disso, há denúncias de esforços do Kremlin para influenciar as eleições, agravadas por uma recente proibição russa à importação de produtos armênios, interpretada como uma forma de pressão econômica sobre Yerevan.
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