Condenados dois homens pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete
Justiça avança após morte brutal da ialorixá em Salvador

Nesta terça-feira, dia 14, o Tribunal do Júri de Salvador condenou dois dos seis homens envolvidos no assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete. As penas aplicadas foram de 40 anos, 5 meses e 22 dias para Arielson da Conceição Santos e 29 anos e 9 meses para Marílio dos Santos.
Mãe Bernadete foi morta em 17 de agosto com 25 disparos na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, localizando-se em Simões Filho, a cerca de 26 quilômetros de Salvador. A tragédia ocorreu enquanto ela estava acompanhada de seus três netos.
O crime foi motivado pela insatisfação de Sérgio Ferreira de Jesus, de 45 anos, que se sentiu retaliado por Mãe Bernadete devido à exploração ilegal de madeira na região. Ele incitou e auxiliou membros da facção Bonde do Maluco a cometer o assassinato.
Reconhecida pela sua atuação na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, Mãe Bernadete era uma voz forte na luta contra o racismo e pela defesa dos direitos das comunidades quilombolas. O trágico episódio se deu em meio a denúncias de ameaças que a líder vinha recebendo, mesmo sendo beneficiada pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.
✨ A morte de Mãe Bernadete destaca a grave situação de defensores dos direitos humanos no Brasil, que enfrentam constantes ameaças.
Ainda não há data definida para o julgamento dos outros acusados: Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus, Ydney Carlos dos Santos de Jesus e Carlos Conceição Santiago. A reportagem busca contato com as defesas para comentar sobre o ocorrido.
O processo judicial começou em 13 de novembro, com o sorteio dos jurados e depoimentos das testemunhas. No entanto, a única testemunha de defesa foi dispensada e Marílio, que está foragido, não compareceu ao tribunal.
Durante as alegações finais, a juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos conduziu a sessão, enquanto a Anistia Internacional destacou a importância da condenação dos réus como um passo crucial para a proteção de defensores de direitos humanos no Brasil e uma resposta necessária às comunidades quilombolas ameaçadas.
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