Iniciativa, impulsionada por parlamentares, incentiva demissões com base em posicionamentos políticos.

O resultado das eleições que reelegeram o presidente Lula (PT) desencadeou um movimento de 'caça às bruxas' direcionado a seus eleitores. Gradualmente, nas redes sociais, pessoas insatisfeitas com a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) estão promovendo campanhas por demissões de petistas.
Essa prática se configura como assédio eleitoral e é considerada crime segundo a legislação vigente. Parlamentares e empresários têm liderado essa movimentação, como a deputada estadual Índia Armelau (PL), a mais votada do Rio de Janeiro. Em suas redes sociais, ela sugeriu que empresários investiguem as atividades nas redes sociais de seus funcionários para identificar quem votou em Lula, recomendando demissões.
✨ O Ministério Público do Trabalho já registrou 3.290 denúncias de assédio eleitoral até agora, com 2.471 apenas em outubro.
Outro apoiador do movimento é o deputado federal eleito Guilherme Kilter (Novo), que compartilhou um vídeo promovendo a ideia de 'demitir petistas'. Ele comemorou relatos de pessoas demitidas por expressarem sua preferência política em favor de Lula. O tema ganhou ainda mais repercussão após declarações de Lays Jordy, esposa do senador Carlos Jordy (PL), inflando o debate nas redes.
As denúncias de assédio eleitoral têm aumentado substancialmente. No dia 25 de outubro, a data do segundo turno, o Ministério Público do Trabalho havia registrado 1.937 denúncias, número que subiu para 3.290 até a última quarta-feira, 28, com 1.353 novos casos reportados após a eleição. A procuradora Helena Fernandes Barroso Marques da Associação Nacional dos Procuradores e das Procuradoras do Trabalho (ANPT) destacou a escalada dessa conduta em comparação às eleições anteriores.
Nesta quarta-feira, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, anunciou ações para combater o assédio eleitoral, que viola o direito ao voto livre e secreto. Ele enfatizou que não se pode permitir que trabalhadores sejam ameaçados em suas funções devido a suas convicções políticas, prometendo uma abordagem rigorosa contra práticas ilegais com sanções para empresas infratoras.
Recentemente, a Justiça do Trabalho proibiu a deputada Índia Armelau de continuar promovendo a demissão de funcionários em suas redes sociais, e a determinou a remover suas postagens em até 48 horas, sob pena de multa. Na decisão, o juiz Leonardo Saggese Fonseca apontou que a intenção é prevenir lesões aos direitos dos trabalhadores e a promoção de um ambiente democrático respeitoso.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!

Ministra do STF critica governantes que desconfiam de medidas de controle interno em palestra do Conaci.

Documentos enfatizam a necessidade de investigação rigorosa para restaurar a confiança na Corte.

Ministro alerta sobre os riscos da omissão e do protagonismo da Corte

Dados do Ministério Público do Trabalho mostram 35 denúncias diárias em outubro.