Operação apura ocultação financeira em compra de distribuidora de combustíveis.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação Crédito Oculto, que investiga a utilização de estruturas financeiras para ocultar a origem de recursos, principalmente relacionados à aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
De acordo com o MPSP, uma empresa financeira ligada ao esquema movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. A investigação também revelou que uma usina sucroalcooleira do interior paulista teria sido usada para operações financeiras ligadas à compra da distribuidora.
A operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e conta com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Receita Federal, e diversas polícias estaduais, além do apoio dos Gaecos de outros estados.
✨ Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em 29 endereços relacionados a 13 pessoas físicas e 24 jurídicas.
Os investigadores apontam que uma estrutura financeira foi criada para ocultar os verdadeiros controladores da usina, aparentemente complexa o suficiente para preservar o controle econômico sem revelar os beneficiários finais. Subsequentemente, um operador financeiro vinculado a fintechs utilizou essa estrutura para movimentar recursos, criando novas camadas de ocultação.
Além disso, um negócio que envolve cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina está sob investigação. Uma empresa de investimentos teria adquirido esses créditos com recursos de fundos controlados pelo mesmo grupo, criando um fluxo financeiro que oculta a verdadeira origem dos recursos.
As investigações também se concentraram na transferência de R$ 100 milhões para a usina, que foi utilizada para financiar a aquisição da distribuidora. O dinheiro foi movimentado rapidamente por meio de contas de diversas empresas, utilizando contas concentradoras em fintechs.
Outras etapas da investigação incluem a análise de um Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV) e a utilização de empresas de fachada para dificultar a identificação dos beneficiários finais dos recursos.
Os promotores afirmam que a estrutura complexa utilizada permitiu que os bens permanecessem sob controle dos envolvidos, sem aparecerem diretamente em seus patrimônios, o que levanta sérias preocupações sobre a legalidade das operações financeiras envolvidas.
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Jornalista especializado em Justiça

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