Parlamento Europeu define estupro como ato sem consentimento ativo
Resolução reflete um marco na proteção aos direitos das mulheres na UE.

O Parlamento Europeu aprovou uma resolução histórica na terça-feira (28), estabelecendo que atos sexuais sem consentimento ativo são considerados estupro. Essa medida é um avanço significativo nos direitos das mulheres e no combate à violência sexual dentro da União Europeia.
A resolução, aprovada por uma ampla maioria, convoca todos os Estados-membros da UE a implementarem um padrão legal que se baseia no princípio de que ‘somente um consenso claro, um “sim”, é aceitável’. Essa mudança de paradigma visa substituir o conceito anterior de ‘não significa não’, que, segundo ativistas, não protege adequadamente as vítimas.
✨ Novo padrão 'sim significa sim' impulsiona a proteção dos direitos das mulheres na Europa.
Embora a resolução represente um passo importante, ainda é necessário convertê-la em uma proposta legislativa para que possa ser votada pelos Estados-membros. A eurodeputada holandesa Anna Strolenberg enfatizou a necessidade de respeitar as mulheres, afirmando que a ausência de consentimento genuíno invalida qualquer argumentação sobre a legalidade do ato.
"Ninguém pode dar consentimento enquanto dorme, está drogada ou paralisada pelo medo. Qualquer lei que deixe margem para essa dúvida deixa margem para a violência.
A situação legal referente ao estupro na Europa varia significativamente. Atualmente, 21 dos 27 Estados-membros já possuem legislações que consideram o consentimento uma base fundamental para classificar um ato como estupro, como é o caso da Suécia e da Espanha. Por outro lado, países como Hungria e Letônia ainda se baseiam no uso da coerção como critério principal.
As disparidades nas legislações criam barreiras significativas para as vítimas de violência. A eurodeputada francesa Manon Aubry destacou que leis que não reconhecem o consentimento ativo permitem que agressores atuem sem temor de punição.
Recentemente, a França reformou seu código penal para classificar estupro como qualquer ato sexual sem consentimento, uma atualização que surgiu após casos emblemáticos de abuso, como o de Gisèle Pelicot.
Contexto
A violência sexual é um problema alarmante na UE, com uma em cada seis mulheres relatando que sofreu violência sexual na vida adulta, conforme dados da Anistia Internacional.
Diante da necessidade urgente de uma resposta unificada a esses crimes, a eurodeputada irlandesa Maria Walsh ressaltou como as recentes denúncias sobre 'academias de estupro' online tornaram crucial um enfoque legislativo mais robusto e eficaz.
"Este apelo deve ressoar fortemente na mente dos tomadores de decisão da UE.
A resolução do Parlamento Europeu é um passo relevante na luta contra uma cultura que perpetua a violência sexual, sublinhando a urgência de um consenso firme em torno do conceito de consentimento nas relações sexuais.
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