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Justiça
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STF não chega a acordo sobre Moratória da Soja e processos voltam aos ministros

Falta de consenso entre partes pode levar a julgamentos complexos

Tiago Abech12 de junho de 2026 às 19:25
STF não chega a acordo sobre Moratória da Soja e processos voltam aos ministros

O Supremo Tribunal Federal (STF) não conseguiu alcançar um entendimento entre agricultores, indústrias, representantes do Ministério Público e ambientalistas sobre a continuidade da Moratória da Soja.

Na última sexta-feira (12/6), o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) da corte encaminhou novamente os quatro processos relacionados à questão aos ministros relatores após a tentativa de mediação, que teve início em março deste ano, não ter logrado êxito.

Sem um consenso, os processos deverão ser julgados, mas ainda não há uma data definida.

Conforme um despacho de Álvaro Ricardo de Souza Cruz, juiz auxiliar do STF e supervisor do Nusol, as reuniões realizadas entre abril e maio mostraram progressos, embora posteriormente houvesse uma diminuição do diálogo entre as partes envolvidas. Cruz mencionou que, apesar de momentos propícios para um acordo, a falta de disposição para a conciliação acabou inviabilizando qualquer entendimento.

Contexto das Ações Diretas de Inconstitucionalidade

As quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774 e 7775, sob relatoria de Flávio Dino e Dias Toffoli, respectivamente, abordam legislações estaduais de Mato Grosso e Rondônia que suspenderam os benefícios fiscais de empresas ligadas à Moratória da Soja. A moratória, criada há duas décadas, impõe que empresas signatárias não comprem soja de áreas desmatadas na Amazônia após 2008.

Recentemente, a validade da Moratória foi questionada após mudanças na legislação de Mato Grosso que penalizaram as empresas signatárias.

As ADIs não discutem apenas a constitucionalidade das leis, mas têm como foco os potenciais efeitos das decisões do STF sobre futuras demandas judiciais. Em um movimento anterior, Flávio Dino havia suspenso ações que contestavam a moratória e que pediam indenização.

Repercussão no Setor Agrícola

Produtores de Mato Grosso já entraram com uma ação alegando um ressarcimento de mais de R$ 1 bilhão. Além disso, o setor agrícola fez denúncias ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acusando práticas de cartel entre as trader.

Detalhes das Reuniões do Nusol

Os encontros promovidos pelo Nusol contaram com a participação de várias entidades, entre elas a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), além de representantes de partidos políticos e do Ministério Público Federal.

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