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Canola no Brasil reduz em até 55% emissões de combustíveis aéreos

Estudo revela potencial do SAF, mas desafios agrícolas permanecem

Acro Rodrigues22 de abril de 2026 às 14:15
Canola no Brasil reduz em até 55% emissões de combustíveis aéreos

Um novo estudo indica que a utilização de canola no Brasil para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) pode proporcionar uma redução de até 55% nas emissões de gases de efeito estufa. Contudo, a pesquisa revela que a etapa agrícola ainda enfrenta desafios significativos.

Resultados da Pesquisa

Analisando dados reais de produtores nacionais, o estudo abrange emissões desde o cultivo da canola até a queima do combustível em aeronaves. Ele avaliou três cenários: uso de combustível convencional Jet-A1, mistura de 50% de SAF e utilização total de SAF, empregando a tecnologia HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids).

A fase agrícola é responsável pela maior parte das emissões durante o ciclo de vida do combustível, com 34,2 g de CO₂ equivalente por megajoule apenas no cultivo.

A pesquisa foi realizada em colaboração com especialistas da Embrapa e universidades, e está alinhada com diretrizes internacionais como o Corsia da Organização da Aviação Civil Internacional, além de políticas brasileiras como o RenovaBio.

Impactos e Desafios

O estudo revelou que a produção de fertilizantes e as emissões de óxido nitroso são os principais fatores que aumentam as emissões no cultivo da canola. A fase industrial, utilizando hidrogênio fóssil, contribui com cerca de 12,8 g de CO₂ equivalente por megajoule.

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A produção e o uso de fertilizantes nitrogenados são críticos tanto pelo impacto nas emissões quanto pelos danos a água e ecossistemas

Alexandre Cardoso, Embrapa Agroenergia.

Contexto

A substituição de hidrogênio fóssil por renováveis pode reduzir até 94% as emissões na produção do SAF.

Os pesquisadores também enfatizam que a integração da produção agrícola com tecnologias de energia renovável pode maximizar os benefícios climáticos do SAF. No Brasil, a canola é frequentemente cultivada como segunda safra em rotação com a soja, o que otimiza o uso da terra e minimiza a competição por espaço.

Essa abordagem oferece uma vantagem competitiva para o cultivo de canola no Brasil em comparação com regiões onde ela é cultivada como cultura principal.

O estudo também aponta lacunas regulatórias que precisam ser solucionadas. A canola não está atualmente contemplada nas rotas de certificação do RenovaCalc, obrigando os pesquisadores a buscar a inclusão da cultura para refletir a diversidade agrícola nacional.

Conclusões

Iniciativas para melhorar a prática do uso de fertilizantes e gerenciar melhor suas emissões são essenciais. O Brasil dispõe de condições ideais para fundir a agricultura com a produção de energia renovável, ampliando assim os benefícios do SAF.

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A redução das emissões climáticas deve ser acompanhada de uma gestão eficiente de água e solo para que sejamos sustentáveis

Priscila Sabaini, Embrapa Meio Ambiente.

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