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meio-ambiente
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Grupos de mamíferos impulsionam fertilidade do solo na Mata Atlântica

A presença de espécies como antas e veados aumenta a qualidade do solo.

Gabriel Rodrigues04 de julho de 2026 às 13:20
Grupos de mamíferos impulsionam fertilidade do solo na Mata Atlântica

Um recente estudo publicado na revista Ecological Monographs aponta que grandes mamíferos, como antas, queixadas, catetos e veados, desempenham um papel fundamental na modificação da composição química da serrapilheira e do solo nas florestas tropicais da Mata Atlântica brasileira. Essas alterações resultam em uma maior disponibilização de nutrientes, o que pode elevar a fertilidade do solo.

Os pesquisadores destacam a importância desses animais, cujas populações estão em declínio devido à caça ilegal, para a preservação a longo prazo deste bioma vital, mesmo em áreas onde a cobertura florestal ainda é robusta.

A queixada, um porco selvagem nativo, predomina em áreas contínuas da Mata Atlântica e é essencial na dinâmica do solo.

Letícia Gonçalves Ribeiro, primeira autora do estudo, explica que as queixadas atuam favorecendo o solo ao pisotear e fuçar o chão em busca de sementes e frutos caídos, além de promover a fertilização natural com suas fezes e urina. Essa interação modifica a química do solo e a composição da serrapilheira, que é a camada superficial de folhas, galhos e frutos.

Impacto na Fertilidade do Solo

Os pesquisadores realizaram comparações entre amostras do solo e da serrapilheira em áreas onde esses mamíferos têm livre circulação e em outras que foram temporariamente cercadas para impedi-los. Em áreas com maior presença de grandes mamíferos, a concentração de alumínio – um mineral prejudicial para as plantas em altos níveis – foi reduzida, favorecendo um equilíbrio essencial entre o pH e o cálcio, fatores cruciais para a fertilidade do solo.

Quando a serrapilheira é remexida pelos animais, ela se fragmenta, permitindo um melhor contato com o solo e acelerando o processo de decomposição, o que favorece a biodiversidade.

Além disso, as áreas onde esses mamíferos circulam apresentam uma maior variedade na composição da serrapilheira, o que também é um indicador positivo para a saúde do ecossistema.

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Esses animais, frequentemente alvo de caça, são considerados engenheiros de ecossistemas e influenciam a composição da flora até a química do solo

Professor Mauro Galetti, IB-Unesp.

O estudo destaca a conexão entre grandes mamíferos e a saúde do bioma, além de ressaltar os riscos que sua extinção representa.

O projeto por trás dessa pesquisa, intitulado "DEFAU-BIOTA", analisa há mais de uma década os impactos da defaunação na Serra do Mar. Os cientistas observam e comparam áreas de 15 metros quadrados com acesso livre e cercadas para os grandes mamíferos, utilizando câmeras de monitoramento para estimar a biomassa desses animais.

Estudos anteriores já demonstraram que a escassez de grandes herbívoros reduz a diversidade de plantas e modifica as interações ecológicas. Um estudo recente sugere que a ausência desses mamíferos pode levar a uma homogeneização da floresta, com o domínio de poucas espécies vegetais que se adaptam à falta de competição.

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