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meio-ambiente
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Lei Antidesmatamento da UE provoca mudanças nas empresas em 2025

Estudo revela evolução nas práticas de rastreamento das cadeias

Gabriel Rodrigues14 de abril de 2026 às 08:30
Lei Antidesmatamento da UE provoca mudanças nas empresas em 2025

A lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR) está gerando alterações significativas nas práticas de monitoramento das cadeias de suprimento das empresas, conforme aponta um estudo da Global Canopy. Apesar de já ter sido adiada várias vezes e de sofrer alterações nas suas regras, as companhias estão começando a adotar medidas para combater o desmatamento.

Crescimento nas boas práticas ambientais

De acordo com a pesquisa anual da Global Canopy, que avalia as ações antidesmatamento das 500 maiores empresas de commodities do mundo, os dados de 2025 revelam um aumento nas empresa que iniciaram a implementação de sistemas de monitoramento. No total, mais de 25% dessas companhias passaram a incluir, em seus relatórios anuais, informações sobre práticas de rastreamento que não eram divulgadas anteriormente.

51 empresas produtoras de commodities informaram ter mecanismos para identificar a origem de seus produtos.

Dentro do total de empresas do setor, 51 (23%) confirmaram o uso de mecanismos que identificam a origem das commodities, incremento em relação aos 18% registrados em 2024. Já entre os intermediários, como traders e agroindústrias, 14% relataram sistemas de rastreamento, ligeiramente superior aos 12% do ano anterior.

Além disso, 68 empresas, representando 14% do total avaliado, atribuíram suas iniciativas de combate ao desmatamento diretamente à EUDR. Isso inclui o estabelecimento de metas, melhorias na rastreabilidade e avaliações de risco ambiental.

Regras rigorosas da EUDR

Vale salientar que a EUDR proíbe a importação para a Europa de diversos produtos agrícolas se provenientes de áreas desmatadas após janeiro de 2020, independentemente da legalidade. Empresas que não cumprirem as regulamentações se sujeitarão a multas de até 4% de suas receitas. Embora a implementação da EUDR tenha sido prorrogada para dezembro de 2026, a Global Canopy destacou já existir mecanismos de rastreamento em oito das nove commodities relacionadas à legislação.

Apesar das melhorias, 33% das empresas avaliadas não têm compromissos antidesmatamento, percentual que se manteve constante nos últimos anos. Os produtos que mais recebem compromissos são, em ordem, óleo de palma (76%), madeira (73%) e cacau (56%).

A pesquisadora Chloe Rollscane observa um 'movimento positivo' na implementação da rastreabilidade.

Chloe Rollscane, associada da Global Canopy, considera que a evolução na rastreabilidade é um sinal promissor, embora muitas ações ainda não estejam visíveis nos relatórios anuais das empresas. Ela destaca que organizações com práticas sustentáveis demonstram que é possível lucrar sem comprometer o meio ambiente, enfatizando que a EUDR é apenas uma das pressões recebidas, já que os varejistas também impõem exigências nesse sentido.

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