Santa Helena do Inglês inaugura fábrica de gelo sustentável
Inovação reduz custos e emissões na pesca amazônica

Uma nova fábrica de gelo movida a energia solar foi inaugurada na comunidade ribeirinha de Santa Helena do Inglês, no município de Iranduba, Amazonas, oferecendo autonomia econômica e ambiental para os pescadores locais.
Com a capacidade de produzir uma tonelada de gelo diariamente e armazenar até 20 toneladas, o projeto, denominado Gelo Caboclo, utiliza um poço artesiano para garantir água de qualidade, além de um sistema de energia fotovoltaica que assegura a operação contínua da unidade.
✨ A iniciativa teve um investimento de R$ 1,5 milhão, promovendo melhorias logísticas e redução das emissões de gases poluentes na região.
Nelson Brito, pescador e morador da comunidade, destaca a importância da fábrica para mais de 30 famílias que dependem da pesca como principal fonte de renda. Antes da instalação da fábrica, o gelo era adquirido em Manaus, distando cinco horas de viagem e gerando custos elevados.
A crescente demanda por soluções sustentáveis levou a uma colaboração entre organizações sociais, setor privado e governos, resultando no avanço desse projeto essencial para a proteção do meio ambiente e a sustentabilidade econômica local.
O projeto nasceu da iniciativa da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que uniu esforços com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e a empresa Positivo, que contribuiu com R$ 1,3 milhão para pesquisa e desenvolvimento.
"Agora, pescadores podem se concentrar na pesca sem arcar com custos excessivos. Se eles não conseguirem pescar, ainda assim não têm prejuízo com o gelo, uma vez que ele está disponível localmente."
Com a expectativa de atender até 70% da demanda local durante a temporada de pesca, a produção de gelo também beneficiará outros setores, como turismo e agricultura familiar.
Desafios em andamento
Embora a fábrica traga benefícios, desafios financeiros permanecem, incluindo a manutenção dos sistemas de energia e fornecimento de água. O gestor planeja diversificar as fontes de receita para suportar os custos operacionais.
A iniciativa visa não apenas o abastecimento local, mas também serve de modelo para outras comunidades ribeirinhas que enfrentam desafios semelhantes em relação ao acesso à energia e recursos sustentáveis.
Valcléia Lima, superintendente da FAS, enfatiza que a falta de acesso à energia é um problema crítico na Amazônia. Iniciativas como essa são fundamentais para promover a geração de renda e a sustentabilidade na região.
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