Cenário de alta volatilidade no mercado de trigo impacta Brasil

Os preços do trigo no mercado global subiram novamente na última semana, influenciados por fatores geopolíticos e condições climáticas. No dia 28 de abril, a Bolsa de Chicago registrou o valor de US$ 6,49 por bushel, o mais alto desde junho do ano passado.
Embora tenha recuado para US$ 6,23 na quinta-feira (30), essa cifra ainda se mostra superior ao valor de US$ 6,10 da semana anterior, conforme análises da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário.
✨ A crise no Oriente Médio e a pressão climática nas zonas produtivas do Hemisfério Norte estão por trás dessa elevação de preços.
Nos Estados Unidos, o panorama das lavouras é misto, com 35% do trigo de inverno classificado como ruim ou muito ruim. Além disso, apenas 19% das áreas destinadas ao trigo de primavera foram plantadas, abaixo da média histórica. As exportações americanas também totalizaram 365.156 toneladas na semana encerrada em 23 de abril, alcançando 21,8 milhões na temporada, um volume maior que o do ano anterior.
A valorização externa do trigo começa a impactar o mercado interno brasileiro, que enfrenta um período de entressafra e uma redução da área de cultivo prevista. Os moinhos estão aumentando a demanda para recompor estoques, mas a volatilidade persiste devido ao acentuado aumento nos custos de produção, especialmente os fertilizantes, que já subiram mais de 60% desde o início do conflito no Oriente Médio.
"Muitos agricultores estão reconsiderando suas opções de cultivo, com algumas áreas sendo redirecionadas para culturas menos onerosas, dadas as dificuldades com os preços dos insumos.
✨ A produção brasileira de trigo pode cair em até 16%, estimando-se 6,6 milhões de toneladas, caso as condições climáticas sejam favoráveis.
As projeções indicam que o Brasil poderá importar até 8,2 milhões de toneladas na safra 2026/27, quantidade que supera o recorde anterior. A demanda total é estimada em 13,3 milhões de toneladas.
Analistas alertam que o aumento dos custos e as limitações na capacidade dos moinhos de estocar trigo podem impactar tanto a quantidade quanto a qualidade da produção nacional. A qualidade do trigo argentino, principal fornecedor ao Brasil, também preocupa, pois apresenta menor teor de proteína, essencial para panificação.
Assim, o mercado brasileiro deve enfrentar um complexo cenário de custos elevados, desafios qualitativos e a verdadeira regularidade no fornecimento nos próximos meses.
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