Setor privado busca ampliar interlocução em Washington frente aos novos desafios.

O Brasil se prepara para contestar as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos à Organização Mundial do Comércio (OMC), enquanto o setor privado brasileiro intensifica os diálogos diretos em Washington. Essas medidas sinalizam uma nova fase nas relações comerciais entre os dois países.
Com a implementação das tarifas, o setor agroindustrial já está reformulando sua estratégia, fortalecendo a atuação em Washington, elaborando pedidos de exceções para produtos específicos e planejando uma contestação formal na OMC. De acordo com Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, as tarifas fazem parte de uma disputa comercial mais ampla, exacerbada pela Seção 301, que aumenta o poder de pressão do governo dos EUA.
"Muitas das propostas são bastante unilaterais, e algumas sequer dependem apenas do Executivo brasileiro, porque envolvem matérias que ainda tramitam no Congresso Nacional.
✨ As propostas americanas ultrapassam o comércio agrícola, afetando também áreas estratégicas como minerais críticos e plataformas digitais.
O primeiro desafio será acompanhar a regulamentação das novas tarifas, cuja publicação está prevista até o dia 22. Entre as alterações esperadas está a nova alíquota e quais produtos poderão solicitar exclusões.
Setores como o de açúcar orgânico veem a possibilidade de serem incluídos em listas de exceções. Diferente do açúcar convencional, que enfrenta um lobby forte, o açúcar orgânico tem uma oferta limitada nos EUA, o que pode facilitar a negociação.
Por outro lado, o setor de etanol deve enfrentar um impacto menor, já que o Brasil tem diversificado suas exportações e diminuído a dependência do mercado americano.
O Brasil deverá levar a disputa para a OMC, uma etapa que é considerada inevitável, mas com efeitos a longo prazo. Uma decisão dessa natureza pode prolongar por anos, e, idealmente, suas consequências poderiam ser mais significativas em futuros mandatos presidenciais nos EUA.
Enquanto as negociações na OMC progridem lentamente, o setor privado aposta em uma presença mais constante em Washington. A experiência mostra que uma atuação permanente resulta em resultados mais positivos, como evidenciado por trabalhos anteriores que garantiram a inclusão de produtos brasileiros em listas de exceção.
✨ Interações diretas com líderes e importadores americanos têm sido essenciais para comprovar o impacto das tarifas nos mercados e garantir apoio à causa brasileira.
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Jornalista especializado em Negócios

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