Palestra de Oliver Stuenkel destaca a nova fase das relações internacionais

A geopolítica deixou de ser um assunto exclusivo de governos e começou a moldar as estratégias empresariais e as cadeias produtivas no mercado agrícola global. Essa é a essência da palestra de Oliver Stuenkel, professor da FGV, realizada durante o ENSSOJA 2026.
Stuenkel, também pesquisador do Carnegie Endowment e do Belfer Center, enfatizou que o atual cenário internacional é caracterizado por tensões entre grandes potências e uma instabilidade econômica crescente. Ele afirmou que o Brasil, ao focar excessivamente em questões internas, demorou a reconhecer o impacto das transformações globais em sua economia.
✨ A análise do crescimento do PIB chinês revelou uma ligação com a reeleição de prefeitos no Brasil, evidenciando a interconexão entre a geopolítica e a economia local.
Stuenkel indicou que o período de relativa estabilidade, que durou da década de 1990 até meados de 2015, foi excepcional. Durante esses anos, a globalização e a redução das tensões geopolíticas permitiram a expansão econômica e a formação de cadeias produtivas complexas.
Ele destacou que os países tinham reduzido seus investimentos em defesa, redirecionando recursos para infraestrutura, saúde e educação, com a Alemanha como um exemplo de excessiva confiança na estabilidade internacional.
No entanto, conforme Stuenkel alertou, esse modelo colapsou nos últimos anos, dando origem a um novo cenário multipolar, onde a ascensão da China e a reconfiguração do poder global geram incertezas.
Os desafios geopolíticos atuais, como a guerra na Ucrânia, revelam um ambiente mais instável onde as decisões políticas refletem uma nova realidade global. Stuenkel salientou que a Rússia agiu em função de um entendimento alterado do poder e das alianças econômicas, buscando apoio de potências como China e Índia.
Esse novo contexto exige que as empresas adotem uma abordagem proativa em suas estratégias, incorporando análises geopolíticas para mitigar riscos e explorar novas oportunidades. Ele mencionou a importância da diversificação de mercados e da construção de cadeias de suprimento resilientes.
Apesar das tensões globais, a América Latina emergiu como uma região de menor risco geopolítico, atraindo o interesse europeu em acordos comerciais, como o que envolve a União Europeia e o MERCOSUL.
Por fim, Stuenkel reiterou que o Brasil deve ir além da diplomacia convencional, adotando uma postura mais ativa e estratégica na defesa de seus interesses no cenário internacional. 'A geopolítica não é mais um assunto restrito aos governos, mas parte integrante da estratégia de negócios,' concluiu.
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