Tarifa dos EUA afeta exportações de pescados do Brasil
Setor de pescados brasileiro reage a possível tarifa de 25%

A proposta dos Estados Unidos de implementar uma tarifa de 25% sobre a importação de pescados brasileiros, com início em 15 de julho, gerou forte reação entre as entidades do setor pesqueiro e da aquicultura no Brasil.
Líderes da indústria enfatizam a importância de diversificar mercados para os produtos brasileiros, visando diminuir a dependência do mercado americano. No entanto, também defendem um diálogo com o governo dos EUA para tentar reverter essa decisão tarifária.
✨ Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), comentou: 'Mais um balde de água fria para a piscicultura, especialmente para a tilapicultura'.
Medeiros ressalta que é essencial aguardar o desfecho do processo nos EUA, mas destaca a urgência de buscar novos mercados. Os Estados Unidos são o principal recipiente das exportações brasileiras de filé fresco de tilápia, totalizando mais de 90% do volume exportado.
Ele também mencionou que exportar filé congelado não é uma opção viável, uma vez que os produtos brasileiros não conseguem competir com os congelados da China e Vietnã, que usam aditivos e água – práticas que a legislação brasileira proíbe.
A nova tarifa surge em um momento crítico para o setor, que enfrenta desafios devido ao aumento das importações de tilápia do Vietnã e a possibilidade de a espécie ser classificada como invasora pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio).
"Se essa decisão ficar para depois das eleições, os riscos são ainda maiores porque só 10% das espécies da piscicultura ficariam legal
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) também adotou uma postura cautelosa diante das discussões americanas sobre a aplicação das tarifas, considerando muito cedo para tirar conclusões antes de um anúncio oficial.
Em uma declaração, a Abipesca pediu ao governo brasileiro que se articule e esclareça as bases técnicas e comerciais que determinarão quais produtos serão afetados, destacando a necessidade de excluir os pescados brasileiros dessa nova tarifa.
"O pescado brasileiro é importante para o povo americano. Nossas produções não concorrem com a produção americana. Somos a alternativa lógica e viável para os EUA
No ano anterior, os produtos de pescado já haviam enfrentado tarifas de 50%. Com a eliminação dessas tarifas em 2026 e a introdução de uma taxa global de 10%, o setor esperava recuperar competitividade e dobrar suas exportações, vislumbrando faturar US$ 550 milhões este ano.
Além das negociações diplomáticas entre Brasília e Washington, a Abipesca reiterou a importância de incluir o setor pesqueiro exportador na próxima fase do Plano Brasil Soberano, buscando criar mecanismos de proteção para as cadeias produtivas vulneráveis às medidas comerciais dos EUA.
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